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Tradição de decorar ruas para a Copa se renova, mesmo com jejum da seleção

Comunidade transforma ruas de São Paulo em tapetes coloridos para a Copa, mantendo tradição mesmo com jejum da seleção

‘Estadão’ foi em busca de descobrir como as vizinhanças se unem para realizar pinturas e decorações para o Mundial
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  • A tradição de decorar ruas para a Copa do Mundo se mantém em São Paulo, mesmo com o Brasil passando 24 anos sem ampliar o número de títulos.
  • No Jardim São Gonçalo, a Rua Moraes Lobo tem desenhos que incluem o próprio morador Gilberto Sampaio, conhecido como Giba, e atraem participação contínua de vizinhos desde os anos noventa.
  • As decorações utilizam mais de 34 quilômetros de fitas verde e amarelo que percorrem a via, com planejamento definido ao fim da última Copa.
  • Na Rua Capitão Siqueira Barbosa, na Vila Parada Inglesa, Álvaro Diniz relata que a tradição começou com uma bandeira e hoje já soma mais de vinte desenhos, financiados por arrecadação de moradores e rifa de uma caixa de som.
  • Em Pirituba, o projeto Raipe das Ruas, com produção da Rede Ronaldo e Sense, investe em pinturas em ruas como Jaminaua (Vampeta) e Manoel Muniz de Brito (Kaká), realizadas ao longo de três fins de semana.

A tradição de decorar as ruas para a Copa do Mundo resiste em São Paulo, mesmo com o jejum de títulos da seleção brasileira. Moradores das vizinhanças mantêm o costume de pintar o asfalto, criar desenhos e cobrir muros com cores verde e amarelo a cada quatro anos.

Na zona leste, no Jardim São Gonçalo, a Rua Moraes Lobo se tornou um mosaico vivo. Um idoso de 62 anos, conhecido como Giba, lidera os trabalhos há seis anos e afirma que o hábito começou nos anos 90, crescendo desde então com a participação de toda a comunidade. A via chega a mais de 34 quilômetros de fitas coloridas.

Giba explica que o planejamento costuma começar após a Copa anterior e envolve mutirão entre vizinhos. “É carnaval o tempo todo”, diz ele, que já teve de conciliar cuidado com a saúde e pintura. Em frente à casa dele, um desenho retrata o próprio morador como destaque da edição passada.

A decoração da Rua Moraes Lobo se tornou uma referência no bairro, atraindo moradores de outras ruas. A participação envolve crianças e adultos, com revezamento de voluntários para aplicar as cores e os traços. O esforço coletivo também sensibiliza a vizinhança para valorizar a cultura local.

Outra via colorida fica na Rua Capitão Siqueira Barbosa, no Jardim São Paulo, zona norte, onde moradores uniram forças para manter a tradição sem patrocínios. O desenho reúne símbolos de países participantes da Copa de 2026, incluindo figuras populares e referências ao futebol brasileiro.

O projeto foi financiado por arrecadação comunitária, venda de rifas e uso de materiais disponíveis pelos moradores. Álvaro Diniz, 62 anos, lembra que a rua já começou com uma bandeira e hoje acumula mais de 20 desenhos, cada um com mais de 10 metros. A via fica próxima à região onde o metrô é ouvido no dia a dia.

Em Pirituba, a Oeste da cidade, o programa Raipe das Ruas apoia outra gestão de arte comunitária. Desenvolvido pela Rede Ronaldo e Sense, a iniciativa leva as pinturas a duas vias por meio de desenho assinado pelo grafiteiro Thyago Looca, com a presença de ícones da Copa de 2002.

Na Rua Jaminaua, Vampeta aparece como tema, enquanto a Rua Manoel Muniz de Brito celebra Kaká, último brasileiro a vencer a Bola de Ouro. As ações visam resgatar a memória de grandes momentos da seleção e aproximar moradores de diferentes gerações do futebol.

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