- Em Chengdu, espaços femininos exclusivos ganham popularidade, mesmo em um ambiente com maior controle social.
- A livraria feminista Laishuxia, fundada por Shen Shen em agosto de 2023, é um exemplo dessa movimentação local.
- Além da livraria, surgem bares e grupos voltados a mulheres, como o bar Rearview Mirror, criado por Zhang Wenjia e parceiras.
- Iniciativas como GiCD (Girls in Chengdu) reúnem centenas de mulheres para atividades diversas, mantendo o foco na convivência segura e no empoderamento prático.
- A cidade reflete uma tendência mais ampla na China: mulheres são mais educadas, porém a participação no mercado de trabalho caiu e há maior vigilância de autoridades sobre ações associadas a feminismo.
Em Chengdu, mulheres estão encontrando espaços voltados exclusivamente a elas, em meio a um contexto nacional de maior cautela com o ativismo feminista. Pequenas livrarias e bares surgem como pontos de encontro, buscando equilíbrio entre empoderamento e controle político.
Shen Shen, 42 anos, administra a livraria feminista Laishuxia, criada em agosto de 2023. O espaço guarda obras de autoras nacionais e internacionais e promove leituras e grupos de conversa sobre temas como menopausa e vieses da inteligência artificial.
A autora destaca que a presença de feminismo no país é crescente, mas atenta para limitações impostas pela censura e pela ideia de antagonismo de gênero. Ela afirma que a atividade cultural pode ocorrer sem confronto direto com o aparato estatal.
Além de Shen Shen, outras iniciativas ganham espaço em Chengdu, cidade com perfil social mais relajado. Zhang Wenjia, 28 anos, abriu com a parceira o bar feminino Rearview Mirror, inspirado em referências ligadas a igualdade e diversidade.
O bar, com decoração de figuras públicas feministas, funciona como ambiente seguro para mulheres. Em 2024, dois empresários lançaram a rede GiCD (Girls in Chengdu), com encontros semanais variados, como escalada e exibição de filmes, voltados a mulheres.
Segundo relatos locais, iniciativas do tipo enfrentam resistência de alguns setores, incluindo policiamento preventivo. Em alguns casos, autoridades chegaram a emitir avisos, sem impedir a continuidade dos espaços, que insistem em manter o foco na convivência segura.
Especialistas ouvidos indicam que a construção de espaços femininos em Chengdu reflete uma resposta prática a um ambiente político mais restritivo. Pesquisadores apontam que a distância da capital facilita menores pressões oficiais sobre atividades culturais.
Em meio a esse cenário, ativistas históricos relatam que o ritmo de repressão tem se intensificado nos últimos anos, levando mudanças de estratégia. Passam a enfatizar solidariedade, educação e empoderamento, para evitar confrontos diretos com o Estado.
A fim de manter a operacionalidade, organizadores ressaltam a necessidade de informar a polícia sobre eventos presenciais. A abordagem visa reduzir riscos de interrupção, sem abrir mão da promoção de espaços para mulheres.
Entre na conversa da comunidade