- Vincent Zhang, morador de Shanghai, acompanha seus “pais virtuais” online, um casal de meia-idade com milhões de seguidores no Douyin.
- Pan Huqian e Zhang Xiuping criam vídeos em que elogiam e apoiam um filho imaginário, com comentários de seguidores chamando-os de mãe e pai e pedindo bênçãos.
- A tendência reflete pressão de jovens chineses para ter sucesso e lidar com expectativas familiares, em meio a alto desemprego entre a geração mais jovem.
- O fenômeno também gerou debates sobre traumas geracionais e sinceridade dos pais, associando-se a memes como a “literatura de sopa de abóbora” que critica o comportamento parental.
- Alguns jovens, como Zhao Xuan, recorrem a memes e terapia para lidar com as cobranças; Vincent reconhece a popularidade e parte da tendência é comercializada, mas oferece algum conforto.
Vincent Zhang, um trabalhador de tecnologia de Shanghai, recorre às redes para acompanhar seus “pais virtuais”: um casal de meia-idade que alimenta o canal online com mensagens de carinho ao filho imaginário. O que acontece é a popularização de figuras paternas virtuais.
Pan Huqian e Zhang Xiuping, donos de quase dois milhões de seguidores no Douyin, ganham notoriedade como uma vertente de criadores que chamam seguidores de “filhos virtuais”. Eles oferecem conselhos e mensagens de apoio com tom paternal.
Vincent afirma que as ligações semanais com os pais biológicos costumam gerar estresse. Eles criticam a escolha de carreira dele e cobram por uma parceira, classificando ações dele como incorretas desde o início da chamada.
Os criadores virtuais dizem ter percebido o impacto emocional de seus vídeos. Pan relatou, em 2024, ter entendido a dor dos jovens pela própria experiência de vida, incluindo uma infância difícil.
Pan recorda a adolescência em que deixou o lar para sustentar a família, após a paralisia da mãe, e diz que seus vídeos visam criar um ambiente familiar diferente para a filha. A menina aparece com frequência nos conteúdos.
Entre os espectadores, jovens relatam sentir pressão econômica, desemprego entre os 15% e a sensação de não atender às expectativas dos pais. O tema se tornou pauta de discussões públicas na China.
A repercussão gerou memes como “literatura de sopa de abóbora”, uma crítica bem-humorada ao modo como pais tratam os filhos. O conteúdo emocionaliza redes e gera debates sobre família e responsabilidade parental.
Zhao Xuan, 28, diz ter reduzido o barulho familiar na conversa de grupo de whatsapp, recorrendo a humorismo para lidar com a relação com os pais. Para ela, a risada ajuda a manter a sanidade.
Para Vincent, os pais virtuais representam uma lembrança de tempos mais simples, sem pressão social. Ele admite que o formato é possivelmente massivo e comercial, com contratos e parcerias.
Apesar da popularidade, a tendência também expõe fricções entre gerações. Jovens conversam sobre expectativas, desempenho acadêmico e “filial piety” de forma crítica e, por vezes, bem-humorada.
Especialistas apontam que a economia local, crescimento de carreira e probation acadêmica aumentam a pressão sobre jovens. O debate envolve saúde mental, família e internet como espaço de apoio.
Vincent reconhece que a figura dos pais virtuais oferece conforto, ainda que compartilhe uma visão de que há limite entre afeto e cobrança. A discussão segue como reflexo das dinâmicas familiares contemporâneas.
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