- Thais Farage, pesquisadora de gênero e especialista em consumo feminino, está no mestrado da USP, estudando a relação entre gênero, poder e moda.
- Sua trajetória começou após ouvir dúvidas recorrentes de mulheres em workshops sobre estilo no trabalho, como qual o comprimento adequado da saia para ser ouvida com credibilidade.
- A pesquisa utiliza dados qualitativos da obra Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras, que apontou que quarenta e cinco por cento das mulheres negras e trinta e um por cento das brancas já mudaram a roupa para serem ouvidas.
- No estudo de mestrado, ela analisa como Dilma Rousseff, Michelle Bachelet e Cristina Kirchner usaram roupas como cultura material e instrumento para legitimar o poder, mesmo com códigos de masculinidade.
- Além de ampliar o foco para a política, Thais ressalta que a percepção do poder ainda costuma associar esse espaço a um homem branco de terno, e que o objetivo é abrir espaço para mulheres em posições de influência.
Em meio a uma análise sobre consumo feminino, Thais Farage avança no mestrado na USP para investigar a relação entre gênero, política e vestuário. A pesquisadora busca entender como a roupa funciona como cultura material e instrumento de poder.
A trajetória começou após ouvir dúvidas recorrentes de clientes em workshops sobre estilo no trabalho. Criada em Montes Claros e Leopoldina (MG), Farage trabalha há anos com consultoria de estilo e temas de gênero.
Em sua pesquisa, ela conecta moda e política ao observar como mulheres em posição de poder lidam com codes de masculinidade na vestimenta. O objetivo é discutir, de forma mais ampla, a credibilidade feminina para além do look.
Raízes da credibilidade na roupa
A pesquisadora destaca que a moda não resolve desigualdades sozinha; é preciso dialogar sobre gênero. Dados de uma pesquisa sobre imagens de poder apontam que 45% de mulheres negras e 31% de brancas mudam o vestuário para serem ouvidas.
Ao ampliar o foco, Farage passa a analisar casos de lideranças femininas. Dilma Rousseff, Michelle Bachelet e Cristina Kirchner aparecem como exemplos de mulheres que herdaram códigos de poder, ainda que enfrentem ataques por sua aparência.
Ela afirma que, apesar de recorrerem a trajes formais, essas lideranças enfrentam resistência e ainda não ocupam plenamente o espaço de poder atribuído aos homens. A pesquisadora ressalta a necessidade de mudanças estruturais.
A sequência da pesquisa e projetos
Antes do mestrado, Farage publicou o livro Mulher, Roupa, Trabalho: Como se Veste a Desigualdade de Gênero (Paralela, 2021), em parceria com Mayra Cotta. Em 2022, decidiu aprofundar o tema na USP.
No estudo atual, a autora analisa como roupas refletem práticas políticas e estratégias de legitimidade, além de questionar a relação entre vestuário e autoridade. O foco permanece no papel da moda como expressão cultural.
A pesquisadora reforça que não há modelo único de vestimenta para o poder. O trabalho continua investigando como mulheres podem ocupar espaços de influência sem estereótipos limitantes.
Entre na conversa da comunidade