- A autora visitou Palayil, um tharavad em Tholanur, Kerala, casa tradicional desenhada ao redor das mulheres, com origem que remonta ao século XVII.
- O conjunto Nalukettu apresentava um nadumuttam central e quartos específicos, incluindo um espaço para parto e outro para menstruação, pensado para proteger corpos e privacidade femininos.
- Mesmo que homens tenham feito a construção, o briefing e a organização do espaço foram determinados pelas mulheres, mostrando como a arquitetura refletia necessidades e autoridade feminina.
- Havia também o chuttu veranda, corredor externo que lembrava a possibilidade de convívio conjugal separado, prática chamada sambadhanam, que terminou no século XIX.
- A estrutura perdeu força no início do século XX por leis que desfizeram a herança feminina, mas o relato ressalta a importância de um design centrado na vida das mulheres e a memória dessas casas.
Pouco mais de uma década após a queda do Palayil, a casa patriarcal de Palayil Sreedevi, na vila de Tholanur, no sul da Índia, ficou apenas na memória. A author revelou como o tharavad, casa projetada em torno das mulheres, existiu ativamente desde o século 17.
A pesquisadora percorreu a região de Kerala para entender a vida das mulheres Nair, cuja linhagem era matrilinear. O objetivo era mapear como o espaço habitado por mulheres moldou, mesmo sem a presença física completa, a organização social e a proteção de fins de cuidado e herança.
Em 2024, a busca levou à descoberta de Palayil nos registros locais e na memória dos vizinhos. O tharavad original acabou demolido há mais de 10 anos, quando leis influenciadas por homens desmontaram a estrutura de herança feminina.
Contexto histórico
A comunidade Nair, com raízes em Kerala, formou uma nobreza marcial que servia dinastias reais. Os homens saíam para treinamento militar, enquanto as mulheres ficavam no tharavad. A arquitetura refletia esse equilíbrio de poder e cuidado.
A casa na língua local era chamada de nalukettu, um conjunto de quatro alas ao redor de um pátio central aberto. As áreas tinham funções específicas, incluindo espaços para parto e para menstruação, sempre com foco no bem-estar feminino.
Estrutura e função
Os espaços eram desenhados por carpinteiros homens, com briefing definido por mulheres. A planta incluía corredores externos, chamados chuttu, e varandas altas ligadas aos cômodos internos, preservando privacidade e conversa entre gêneros.
Especialistas apontam que o projeto buscava reduzir o calor da cozinha durante a monção, afastando o calor para áreas determinadas. As camas, os quartos e as áreas de descanso eram distribuídos para proteger as necessidades das mulheres.
Situação atual e legado
Hoje, Palayil não existe mais como casa habitada. O espaço foi convertido em memória, mas a lógica do tharavad permanece em construções semelhantes pelo estado. A história relembra que o ambiente construído não é neutro; ele revela quem tem voz para moldar o design.
O relato também destaca a prática de sambadhanam, uma união entre casal onde o homem poderia se mudar para a casa da mulher, prática encerrada no século XIX. A arquitetura manteve memórias dessa possibilidade even após o fim da tradição.
Impacto cultural e institucional
Profissionais de design e história destacam que o tharavad representa cuidado, herança e apoio mútuo enraizados na própria construção. A narrativa de Palayil serve para discutir como projetos urbanos podem priorizar as necessidades de mulheres.
A pesquisadora reconhece o papel da casa na educação de gerações. Mesmo com a demolição, a arquitetura de Palayil inspira a reflexão sobre como edifícios podem apoiar a autonomia feminina, especialmente em contextos históricos de restrições legais.
Observação final
A obra Herlands, de Megha Mohan, publicada pela Penguin, analisa sociedades lideradas por mulheres. O caso de Palayil é visto como um exemplo real de como o espaço físico pode refletir valores de cuidado, cuidado compartilhado e independência feminina, mesmo diante de mudanças legais.
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