- Psicanalista brasileira Carine Sayuri Goto, 45 anos, vive no Japão desde 2019 e diz que a vida lá é melhor que no Brasil, apesar de temer terremotos e xenofobia.
- Dados do Itamaraty apontam mais de 210 mil brasileiros no Japão, grande parte atuando em fábricas como decasséguis, para juntar dinheiro e voltar ao Brasil.
- Em Higashine, na província de Yamagata, Goto diz receber atendimento e tratamento mais acolhedores; mudou de Yamanashi por conta de menos preconceito e maior suporte.
- Ela voltou a atuar na psicologia e psicanálise de forma online desde 2021, mantendo carreira no Brasil e no Japão; o marido, Thiago Marques Leão, é doutor em saúde pública pela USP e trabalha em uma escola japonesa.
- Na Copa do Mundo, Brasil enfrenta o Japão na fase mata-mata; o jogo ocorre às 2h no fuso japonês, o que dificulta acompanhar, e ela tende a torcer pelo Japão, mantendo saudades do Brasil.
Uma psicanalista brasileira que vive no Japão desde 2019 encara dois grandes receios: terremotos e xenofobia. Carine Sayuri Goto, 45 anos, acredita, porém, que a vida no país é mais estável do que no Brasil.
Nascida em Guarulhos, formada pela Unesp, Goto mudou-se com o marido em meio a mudanças políticas no Brasil. Ela buscou no Japão uma oportunidade de manter a carreira na psicanálise. A transição começou com trabalho em fábrica.
A brasileira está instalada em Higashine, município de cerca de 45 mil habitantes na província de Yamagata. A mudança trouxe sensação de acolhimento e rotina mais equilibrada, apesar de lembranças do passado.
Caminho profissional e adaptação
Ao chegar, Goto trabalhou por um ano e meio em uma fábrica de doces, em turnos que às vezes começavam de madrugada. Mesmo com a carga pesada, manteve atividades acadêmicas online para manter a formação.
Em 2021, consolidou-se como psicanalista morando no Japão, atendendo online brasileiros e estrangeiros. A mudança facilitou o reconhecimento profissional e maior flexibilidade diária.
O marido, Thiago Leão, é doutor em saúde pública pela USP e encontrou trabalho em uma escola japonesa. O casal consolidou a vida no país e ampliou sua rede social local.
Impacto da vida no Japão
Goto compara a experiência entre as cidades: em Yamanashi enfrentou preconceito; em Higashine afirma ter melhor acolhimento e atendimento, inclusive em inglês nas repartições. A rotina inclui consultas, estudos e atividades culturais.
A moradia mais estável coincidiu com o distanciamento de discursos de extrema-direita e com a segurança de uma cidade organizada. Ainda assim, a psicanalista reconhece saudades do Brasil, especialmente de contatos presenciais.
Copa do Mundo e calendário
A vida pessoal entra em compasso com a Copa do Mundo, quando Brasil enfrenta o Japão em fase de mata-mata. A partida ocorre às 14h no horário de Brasília, ou 2h no fuso japonês. A logística dificulta acompanhar ao vivo.
Apesar disso, a torcida fica dividida entre culturas. A brasileira mantém preferências pela prática musical japonesa, como o minyo, e pela participação em shows de jazz. Sugere equilíbrio entre raízes e adaptação.
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