- A Conferência das Partes (COP30) ocorrerá de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém, Pará, e enfrenta críticas sobre acessibilidade financeira, impacto ambiental e infraestrutura.
- Diárias em hotéis três estrelas podem ultrapassar R$ 3.500, totalizando R$ 38 mil por 11 dias, o que pode afastar países em desenvolvimento e organizações da sociedade civil.
- O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, desistiu de participar devido aos altos custos da viagem, levantando preocupações sobre outras possíveis ausências.
- Uma carta de 27 países pediu ações do governo brasileiro, que respondeu com a oferta de 500 quartos subsidiados pela ONU, mas organizações ambientais criticam a gestão da crise.
- A construção de uma nova rodovia na Amazônia para facilitar o acesso ao evento já desmatou 13 quilômetros de floresta, gerando controvérsias sobre a sustentabilidade do projeto.
A COP30, marcada para acontecer entre 10 e 21 de novembro de 2025 em Belém, capital do Pará, vem sendo cercada de polêmicas, tanto por dentro quanto por fora da floresta. Com críticas sobre acessibilidade financeira, impacto ambiental e infraestrutura urbana, a conferência corre o risco de ficar marcada não por avanços climáticos, mas pelos obstáculos enfrentados até sua realização.
Hospedagem com preços impraticáveis
Levantamentos apontam que diárias em hotéis três estrelas podem ultrapassar R$ 3.500, totalizando R$ 38 mil por 11 dias. O valor permitiria, por exemplo, se hospedar em um resort all inclusive na Bahia, em um hotel cinco estrelas em Brasília ou até passar alguns dias em Paris.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, classificou os preços como “um absurdo dos absurdos”. Segundo ela, o superfaturamento ameaça afastar países em desenvolvimento e organizações da sociedade civil, que deveriam ser os principais protagonistas do debate climático.
Presidente da Áustria desiste de participar
O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, anunciou que não virá à COP30 por conta do alto custo da viagem. Segundo o gabinete presidencial, “os custos logísticos extrapolam o orçamento da Presidência”. A desistência acendeu o alerta para outras possíveis ausências e enfraqueceu a imagem do evento no cenário internacional.
Carta de 27 países cobra solução
Na semana passada, 27 países divulgaram uma carta exigindo providências do governo brasileiro. A resposta oficial incluiu a disponibilização de 500 quartos subsidiados pela ONU para delegações de países menos favorecidos. Ainda assim, organizações ambientais acusam o governo de falta de controle e de gestão ineficaz diante da crise.
Estrada construída com desmatamento
Outro ponto que intensificou as críticas à COP30 foi a revelação de que uma nova rodovia de quatro faixas está sendo construída cortando uma área protegida da floresta amazônica para facilitar o acesso a Belém durante o evento. O projeto, chamado Avenida Liberdade, já desmatou 13 km de floresta, afetando diretamente comunidades locais e fragmentando ecossistemas.
A estrada foi classificada como “sustentável” pelo governo do Pará e contará com passagens para animais e iluminação solar. Ainda assim, pesquisadores, veterinários e moradores locais denunciam a contradição: desmatar para sediar uma cúpula climática.
A construção, que já vinha sendo planejada desde 2012 e foi retomada para a COP, também ameaça o trabalho de profissionais como a veterinária Silvia Sardinha, que reabilita animais silvestres feridos. Com a estrada dividindo áreas protegidas, a reintrodução dos animais na natureza e a movimentação da fauna se tornam inviáveis.
Trump é declarado “persona non grata” em Belém
A Câmara Municipal de Belém aprovou, em 6 de agosto, a medida que declara Donald Trump “persona non grata”. A proposta foi motivada pelo tarifaço de 50% imposto por Trump contra o Brasil, visto como uma retaliação política à investigação sobre Jair Bolsonaro.
Mesmo assim, o presidente Lula afirmou que pretende convidar Trump para o evento, embora o norte-americano ainda não tenha dado sinais de que participará.
O risco de uma COP esvaziada
Com ausências diplomáticas, preços inacessíveis e protestos sobre a organização do evento, cresce o temor de que a COP30 tenha baixa adesão e resultados frágeis. Para especialistas, isso compromete não apenas os acordos possíveis, mas a credibilidade do Brasil como sede de um evento climático de impacto global.
Belém segue em obras. O aeroporto está sendo ampliado para receber até 14 milhões de passageiros; um novo parque urbano está em construção; e navios de cruzeiro deverão ser usados como hotéis flutuantes. Mas a pergunta que ecoa — no Brasil e fora dele — é se a COP da Amazônia não está, justamente, traindo a floresta que pretende proteger.
Entre na conversa da comunidade