- Moradores da Vila da Barca, em Belém, estão preocupados com a construção de uma estação elevatória de esgoto que atenderá áreas nobres da cidade.
- A obra, que visa despoluir canais da região, foi iniciada sem consulta à comunidade, que já enfrenta problemas de saneamento há mais de um século.
- O projeto, orçado em R$ 25 milhões, inclui tubulações de quatro quilômetros até a Estação de Tratamento de Esgoto Una.
- A comunidade teme mau cheiro e vazamentos, além de não se beneficiar com a obra. O governo do Pará afirma que não há riscos sanitários ou ambientais.
- Moradores solicitaram a intervenção do Ministério Público Federal para que sejam apresentados estudos de impacto ambiental.
Moradores da Vila da Barca, uma comunidade de palafitas em Belém, estão preocupados com a construção de uma estação elevatória de esgoto que atenderá áreas nobres da cidade. A obra, que visa despoluir canais da região, foi iniciada sem consulta prévia à comunidade, que já enfrenta problemas de saneamento há mais de um século.
A estação elevatória é parte de um projeto de R$ 25 milhões para o sistema de esgoto da sub-bacia do Una, que inclui tubulações de 4 km até a Estação de Tratamento de Esgoto Una (ETE-Una). Moradores temem que a obra traga mau cheiro e vazamentos, além de não beneficiar a comunidade. A educadora e líder comunitária Suane Barreirinhas expressou a frustração da população: “Pedimos melhorias, mas não queremos receber esgoto”.
O governo do Pará defende que a obra não representa riscos sanitários ou ambientais. Segundo a gestão estadual, a estação apenas transporta e não trata esgoto, seguindo normas técnicas. No entanto, a falta de consulta e transparência gerou desconfiança entre os moradores, que solicitaram a intervenção do Ministério Público Federal (MPF) para que sejam apresentados estudos de impacto ambiental.
Saneamento e Gentrificação
A Vila da Barca, que abriga cerca de 5 mil moradores, é um exemplo de gentrificação na Amazônia, onde a expansão urbana ameaça a permanência da população original. Historicamente, a comunidade foi formada no início do século XX, quando a cidade se expandiu, afastando os mais pobres do centro. As lideranças comunitárias destacam que a construção da estação elevatória é um reflexo do descaso com as necessidades locais.
Embora o governo tenha anunciado um investimento de R$ 7 milhões para melhorar o saneamento na Vila, a construção de uma nova estação para atender exclusivamente a comunidade ainda não começou. A previsão é que o novo sistema de água seja entregue até outubro e o esgotamento sanitário até abril de 2026. Moradores, no entanto, continuam a lutar por mais serviços básicos, como escolas e creches, que ainda não foram atendidos.
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