- As negociações para um tratado global contra a poluição por plásticos terminaram sem consenso em Genebra, na madrugada de quinze de agosto.
- Representantes de cento e oitenta e cinco países não conseguiram chegar a um acordo, evidenciando um impasse entre ações ambiciosas e gestão de resíduos.
- Divergências foram notadas entre países produtores de petróleo e aqueles que buscam limitar a produção de plásticos.
- A ministra francesa de Transição Energética criticou a influência de interesses financeiros que impediram um acordo mais robusto.
- Uma nova sessão de negociações será agendada, já que a produção global de plásticos deve aumentar em setenta por cento até dois mil e quarenta se não houver mudanças significativas nas políticas.
As negociações para um tratado global contra a poluição por plásticos, iniciadas em março de 2022, terminaram sem consenso em Genebra, na madrugada de 15 de agosto. Representantes de 185 países não conseguiram chegar a um acordo, refletindo um impasse entre nações que defendem ações ambiciosas e aquelas que priorizam a gestão de resíduos.
Durante as discussões, divergências profundas foram evidentes, especialmente entre países produtores de petróleo e aqueles que buscam limitar a produção de plásticos. O negociador da Noruega lamentou a falta de um tratado, afirmando que “cada dia sem um acordo ambicioso significa mais plástico nos oceanos”. Michel Santos, da WWF Brasil, destacou que o resultado foi frustrante e que o tempo para concessões acabou.
Ponto de Discórdia
Os principais pontos de discórdia incluíram a proposta de reduzir a produção de plástico e estabelecer controles sobre produtos químicos tóxicos. Enquanto uma coalizão de países, incluindo a União Europeia e diversas nações latino-americanas, defendia medidas rigorosas, um grupo de países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, se opôs a restrições, argumentando que o foco deve ser na reciclagem.
Pequenos Estados insulares expressaram frustração com a falta de progresso, afirmando que enfrentam a crise ambiental sem terem contribuído significativamente para ela. A ministra francesa de Transição Energética criticou a influência de interesses financeiros que bloquearam um acordo mais robusto.
Próximos Passos
Apesar do impasse, as negociações não estão encerradas. O embaixador equatoriano Luis Vayas Valdivieso, presidente das negociações, afirmou que uma nova sessão será agendada. A diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Inger Andersen, reconheceu os avanços, mas enfatizou que a questão da limitação da produção de plástico permanece sem solução.
A crise da poluição por plásticos continua a se agravar, com a produção global prevista para aumentar em 70% até 2040 se não houver mudanças significativas nas políticas. Atualmente, menos de 10% do plástico produzido é reciclado, evidenciando a urgência de um tratado eficaz.
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