- Cientistas descobriram que dentes de dinossauros podem revelar a composição atmosférica da Terra antiga.
- A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou fósseis do Jurássico Tardio e do Cretáceo Tardio.
- Os níveis de dióxido de carbono (CO₂) eram significativamente mais altos, com cerca de 1.200 partes por milhão (ppm) no Jurássico Tardio e aproximadamente 750 ppm no Cretáceo Tardio.
- As atividades vulcânicas intensas, como as erupções das Armadilhas do Decã, podem ter contribuído para esses picos de CO₂.
- A nova técnica de pesquisa conecta vertebrados terrestres ao ar que respiravam, oferecendo novas perspectivas sobre a dinâmica climática ao longo do tempo.
Cientistas descobriram que dentes de dinossauros podem servir como cápsulas do tempo, revelando a composição atmosférica da Terra antiga. A pesquisa, publicada na revista *Proceedings of the National Academy of Sciences*, analisou fósseis do Jurássico Tardio e do Cretáceo Tardio, mostrando que os níveis de dióxido de carbono (CO₂) eram significativamente mais altos do que os atuais.
Os pesquisadores utilizaram medições de isótopos de oxigênio para reconstruir a atmosfera da época, revelando cerca de 1.200 partes por milhão (ppm) de CO₂ durante o Jurássico Tardio e aproximadamente 750 ppm no Cretáceo Tardio. Esses números superam em muito o nível pré-industrial de 280 ppm e os atuais 425 ppm. Segundo Dingsu Feng, geoquímica da Universidade de Göttingen e autora principal do estudo, os dentes preservam informações climáticas de mais de 150 milhões de anos.
Implicações para o Clima e Ecossistemas
As evidências sugerem que atividades vulcânicas intensas, como as erupções das Armadilhas do Decã, podem ter contribuído para os picos de CO₂ no final do Cretáceo, impactando o clima e os ecossistemas da época. A pesquisa também indica que a fotossíntese global durante o Mesozóico foi aproximadamente duas vezes mais intensa do que a atual, possivelmente devido às altas concentrações de CO₂ e temperaturas médias elevadas.
Eva M. Griebeler, coautora do estudo e ecologista da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, destaca que as informações obtidas sobre a produção primária global são essenciais para entender as teias alimentares marinhas e terrestres. Até então, a reconstrução de climas antigos dependia principalmente de sedimentos marinhos e solos fossilizados, métodos que apresentam margens de incerteza.
Novas Perspectivas de Pesquisa
Thomas Tütken, paleontólogo e coautor do estudo, afirma que essa nova técnica conecta vertebrados terrestres ao ar que respiravam, abrindo novas possibilidades para a pesquisa climática. Compreender como o clima e a produtividade das plantas variaram ao longo de milhões de anos é crucial para projetar o futuro do planeta. Feng ressalta que investigar a composição da atmosfera da Terra primitiva é fundamental para entender a dinâmica climática de longo prazo.
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