- Conflitos armados, como a guerra na Ucrânia e a ofensiva em Gaza, geram emissões significativas de gases de efeito estufa.
- Desde 2022, a guerra na Ucrânia liberou um volume de emissões equivalente ao total anual de quatro países europeus.
- As atividades militares representam cerca de 5,5% das emissões globais, tornando o setor militar o quarto maior emissor do mundo.
- O Departamento de Defesa dos Estados Unidos é o maior emissor institucional, com emissões estimadas de 152 megatoneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO₂e) em 2023.
- Dados sobre emissões militares não são incluídos em relatórios climáticos oficiais, e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) planeja aumentar seus gastos militares, o que pode elevar suas emissões anualmente.
Bombardeios em conflitos como os da Ucrânia e Gaza não apenas devastam cidades, mas também geram emissões de gases de efeito estufa alarmantes. Desde 2022, a guerra na Ucrânia liberou um volume de emissões equivalente ao total anual de quatro países europeus. Em Gaza, as emissões diretas da ofensiva israelense e da futura reconstrução do território superam as de 102 nações.
As atividades militares são responsáveis por cerca de 5,5% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo o Observatório de Conflito e Meio Ambiente (CEOBS). Se o setor militar fosse um país, seria o quarto maior emissor do mundo, superando a Rússia. O Departamento de Defesa dos EUA é o maior emissor institucional, com um orçamento de aproximadamente US$ 860 bilhões em 2023, resultando em emissões estimadas de 152 MtCO₂e.
Impactos Ambientais
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) planeja aumentar seus gastos militares, o que pode elevar suas emissões entre 87 e 194 MtCO₂e anualmente. Apesar do compromisso da Otan de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, a escalada militar contradiz esse objetivo. A professora Ana Flávia Barros-Platiau, da Universidade de Brasília, alerta sobre o ciclo de retroalimentação entre conflitos e degradação ambiental.
Os dados sobre emissões militares permanecem fora dos relatórios climáticos oficiais. Desde o Protocolo de Kyoto, as atividades militares estão isentas de reportar suas emissões, e a maioria dos países não inclui esses dados em suas metas climáticas. O diretor executivo da Scientists for Global Responsibility, Stuart Parkinson, destaca que as emissões militares podem ser até cinco vezes maiores do que as reportadas.
Consequências Diretas
Na Ucrânia, a guerra gerou cerca de 230 MtCO₂e até fevereiro de 2023, com a maior parte proveniente de ações diretas de combate. Em Gaza, os bombardeios resultaram em 39 milhões de toneladas de escombros, que podem levar até 40 anos para serem removidos, gerando mais de 90 MtCO₂e apenas no transporte e descarte desse material.
Além das emissões, os conflitos poluem aquíferos, intoxicam o solo e destroem ecossistemas. O colapso das estações de esgoto em Gaza já resultou no despejo de esgoto bruto no Mar Mediterrâneo, ameaçando a saúde pública e a vida marinha. Na Ucrânia, resíduos industriais de bombardeios afetam áreas costeiras e deltas fluviais, evidenciando a interconexão entre guerra e crise ambiental.
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