- A salinização dos solos e a sobreexplotação dos recursos hídricos são problemas enfrentados por agricultores em regiões costeiras, como El Ejido, na Espanha.
- Um novo modelo computacional prevê que milhões de lares agrícolas terão que tomar decisões críticas devido à subida do nível do mar.
- O aumento do nível do mar, que subiu entre 15 e 25 centímetros entre 1901 e 2018, pode chegar a um metro ou mais até 2100, segundo o programa Copernicus da União Europeia.
- O modelo DYNAMO-M estima que cerca de 13 milhões de lares agrícolas e 48 milhões de pessoas poderão ser afetados até 2080.
- As opções para os agricultores incluem adaptar-se a novas condições, como escolher cultivos mais resistentes à salinidade, ou migrar para áreas menos vulneráveis.
A salinização dos solos e a sobreexplotação dos recursos hídricos são desafios crescentes para agricultores em regiões costeiras, como El Ejido, na Espanha. Um novo modelo computacional alerta que milhões de lares agrícolas enfrentarão decisões críticas devido à subida do nível do mar, que pode forçar adaptações ou migrações.
Javier García, agricultor com mais de 40 anos de experiência, cultiva em terras a apenas oito quilômetros do mar. Ele destaca que, embora a intrusão marinha não seja um problema imediato na sua área, regiões vizinhas já enfrentam a salinização dos aquiferos. O aumento do nível do mar, que subiu entre 15 e 25 centímetros entre 1901 e 2018, pode chegar a um metro ou mais até 2100, segundo dados do programa Copernicus da União Europeia.
O modelo DYNAMO-M, apresentado recentemente em Viena, simula os riscos de inundação e salinização em costas globais até 2080. Ele estima que cerca de 13 milhões de lares agrícolas e 48 milhões de pessoas poderão ser afetados. As opções para os agricultores incluem permanecer e arcar com perdas, adaptar-se a novas condições ou migrar para áreas menos vulneráveis.
Kushagra Pandey, principal pesquisador do estudo, explica que a adaptação pode envolver a escolha de cultivos mais resistentes à salinidade ou a elevação de residências. O modelo também considera o apego emocional à terra, que muitas vezes impede a migração, mesmo diante de dificuldades. Em regiões como o campo de Cartagena, a salinização já é uma realidade, levando agricultores a buscar alternativas em áreas mais elevadas.
Os dados indicam que, em locais ricos, como a Flórida, a adaptação é mais viável, enquanto em áreas com menos recursos, a pobreza limita as opções. Estudos mostram que, apesar da intenção de migrar, muitos preferem permanecer em suas terras, evidenciando a complexidade da situação. A desertificação já afeta mais de 3% do território espanhol, e a preocupação entre agricultores aumenta à medida que as condições climáticas se deterioram.
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