- O Brasil lançou em 2024 o Plano Clima, com metas de redução de emissões de gases do efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em comparação com os níveis de 2005.
- O plano está em consulta pública até 18 de setembro e não inclui a transição dos combustíveis fósseis, gerando críticas de especialistas.
- A Estratégia Nacional de Mitigação do plano destaca setores como Conservação da Natureza e Agropecuária, mas o Plano Setorial de Energia não apresenta um cronograma para reduzir a produção de petróleo e gás.
- Especialistas, como Marta Salomon e Suely Araújo, questionam a falta de um plano para afastar os combustíveis fósseis, essencial para a mitigação das emissões.
- Apesar de buscar se tornar o quarto maior produtor de petróleo do mundo, o Brasil não estabelece medidas claras para reduzir o consumo interno.
O Brasil apresentou em 2024 seu Plano Clima, que visa cumprir as metas do Acordo de Paris e reduzir as emissões de gases do efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em comparação com os níveis de 2005. O plano, que está em consulta pública até 18 de setembro, não aborda a transição dos combustíveis fósseis, gerando críticas de especialistas.
A Estratégia Nacional de Mitigação (ENM) do Plano Clima inclui sete planos setoriais, com destaque para Conservação da Natureza e Agropecuária, que devem contribuir significativamente para as metas, especialmente na redução do desmatamento. No entanto, o Plano Setorial de Energia não menciona um cronograma para a redução da produção de petróleo e gás, levando especialistas a considerá-lo “pouco ambicioso”.
Marta Salomon, do Instituto Talanoa, questiona a ausência de um plano para afastar os combustíveis fósseis, afirmando que não há indicações de redução na produção de petróleo. Suely Araújo, do Observatório do Clima, reforça que o plano não apresenta um “phaseout” dos combustíveis fósseis, o que é crucial para a mitigação das emissões.
O Brasil, que busca se tornar o quarto maior produtor de petróleo do mundo, enfrenta um dilema: enquanto planeja aumentar a produção, não estabelece medidas claras para reduzir o consumo interno. A análise da organização Oil Change International indica que o país está entre os dez que mais devem expandir a produção de petróleo e gás até 2035.
Desafios e Oportunidades
A matriz elétrica brasileira é uma das mais limpas do mundo, mas a dependência de combustíveis fósseis ainda é significativa. O plano prevê que a porcentagem de energias renováveis na matriz elétrica seja de 82,7% em 2030. Contudo, Salomon alerta que esse percentual já caiu de 88,2% no ano anterior, o que é preocupante.
Ricardo Fujii, do WWF-Brasil, destaca que o Brasil precisa de uma discussão estruturada sobre a transição energética para descarbonização. Ele argumenta que o país tem potencial para liderar essa transição, adotando energias renováveis de forma mais eficaz do que outros países. A falta de um plano claro para a redução dos combustíveis fósseis pode comprometer a credibilidade do Brasil nas discussões climáticas internacionais.
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