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Pele de peixe gigante da Amazônia se torna bolsa de luxo, mas pescadores são prejudicados

Lucros do comércio de couro de pirarucu não beneficiam pescadores, que enfrentam contrabando e falta de fiscalização alarmantes

Um pescador carrega um pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, em Fonte Boa, estado do Amazonas (Foto: AFP via Getty Images/BBC)
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  • O manejo sustentável do pirarucu foi criado para conservar a espécie e gerar renda para comunidades locais após a proibição de sua pesca.
  • Marcas de luxo utilizam o couro do pirarucu, mas especialistas afirmam que a maior parte dos lucros não chega aos pescadores.
  • A consultora Fernanda Alvarenga destaca que a cadeia produtiva é problemática e os benefícios financeiros são escassos para as comunidades.
  • A falta de fiscalização e o contrabando são preocupações, com mais de mil multas registradas pelo Ibama, principalmente no Amazonas.
  • Comunidades buscam alternativas, como o Coletivo do Pirarucu, para aumentar sua participação no mercado e garantir melhores condições financeiras.

O manejo sustentável do pirarucu, peixe da Amazônia, foi implementado após a proibição de sua pesca, visando a conservação e a geração de renda para comunidades locais. Marcas de luxo utilizam seu couro, mas especialistas alertam que a maior parte dos lucros não chega aos pescadores.

O uso do couro do pirarucu, que já foi ameaçado de extinção, é apoiado pela indústria da moda e autoridades ambientais. Marcas como Osklen e Piper & Skye promovem a ideia de que a utilização do couro gera renda para as comunidades ribeirinhas. No entanto, representantes de comunidades afirmam que os benefícios financeiros são escassos. Pedro Canízio, da Femapam, destaca que o preço de itens de luxo é inacessível para os pescadores, que vendem o quilo do pirarucu a R$ 11.

A consultora Fernanda Alvarenga aponta que a cadeia produtiva do pirarucu é problemática, com a maioria dos benefícios não chegando às comunidades. Embora o manejo tenha contribuído para a recuperação da população do peixe, a falta de reconhecimento financeiro para os pescadores é uma preocupação. A Nova Kaeru, que controla 70% do mercado, é criticada por sua posição monopolista e pela demora nos pagamentos aos pescadores.

Desafios do Mercado

Além das desigualdades financeiras, a falta de fiscalização e o contrabando são questões alarmantes. O Ibama registrou mais de 1.100 multas relacionadas ao pirarucu, com 70% delas no Amazonas. A pesca ilegal e o comércio não autorizado do couro são comuns, dificultando a rastreabilidade do produto. O chefe do Núcleo de Fiscalização do Ibama, Igor de Brito, reconhece que o controle da cadeia produtiva está muito aquém do ideal.

As comunidades buscam alternativas para aumentar sua participação no mercado, como o Coletivo do Pirarucu, que visa fortalecer a produção local e garantir melhores condições financeiras. A criação de marcas que valorizam a sustentabilidade é um passo, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que os benefícios do manejo do pirarucu sejam distribuídos de forma justa.

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