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Líderes tribais presos por desmatamento da última reserva de araucárias do Brasil

Caciques Kaingang são presos por desmatamento na Terra Indígena Mangueirinhas, revelando nova faceta da crise ambiental na região

ARAUCÁRIA - Espécie em risco: território indígena de Mangueirinha tem a última reserva contínua do país (Foto: Anderson Kassner-Filho/Floresta SC/Divulgação)
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  • A Terra Indígena Mangueirinhas, no Paraná, é a maior reserva de Florestas de Araucárias do mundo, mas enfrenta grave desmatamento, com menos de 1% da cobertura original preservada.
  • Entre 2019 e 2023, foram registrados 26 alertas de devastação na área, equivalente a quase um Parque do Ibirapuera.
  • No dia 21 de agosto, a Polícia Federal prendeu os caciques José Carlos Gabriel e Cristian Ricardo Carneiro, da etnia Kaingang, suspeitos de integrar uma organização criminosa de desmatamento.
  • Esta é a primeira vez que indígenas são implicados em atividades ilegais de extração e comercialização de araucária na região.
  • A operação resultou na identificação de 255 pontos de desmatamento e incluiu 17 mandados judiciais, com prisões e busca e apreensão.

A Terra Indígena Mangueirinhas, no Paraná, considerada o maior remanescente de Florestas de Araucárias do mundo, enfrenta uma grave crise ambiental. Com menos de 1% da cobertura original preservada, a região sofre com desmatamento e grilagens. Entre 2019 e 2023, o MapBiomas registrou 26 alertas de devastação, correspondendo a uma área equivalente a quase um Parque do Ibirapuera.

Na quinta-feira, 21, a Polícia Federal prendeu os caciques José Carlos Gabriel e Cristian Ricardo Carneiro, da etnia Kaingang, sob a suspeita de integrarem uma organização criminosa dedicada ao desmatamento. Essa é a primeira vez que indígenas são implicados em atividades ilegais de extração e comercialização de araucária na região. As investigações apontam que o grupo, formado por indígenas e não-indígenas, opera de maneira estruturada, causando danos irreparáveis ao ecossistema.

Desmatamento e Implicações Legais

A área é classificada como de preservação permanente, mas não é a primeira ocorrência de desmatamento envolvendo povos originários. Entre 2016 e 2019, lideranças locais aprovaram a derrubada de 11,5 hectares para fins agrícolas, resultando em uma ação civil pública do Ministério Público, que solicitou reparação de 879 mil reais e um plano de restauração da área afetada.

Atualmente, a Polícia Federal identificou 255 pontos de desmatamento na Terra Indígena Mangueirinhas. A operação que levou às prisões inclui 17 mandados judiciais, sendo cinco para prisões preventivas e os demais para busca e apreensão, além de quebra de sigilo bancário. A situação revela um cenário alarmante de exploração e degradação ambiental, que compromete a última grande reserva de araucárias do planeta.

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