- A União Europeia enfrenta a pior temporada de incêndios florestais da sua história, com mais de 1 milhão de hectares queimados em 2023.
- O número de hectares devastados supera o recorde anterior de 2017, que era de cerca de 988 mil hectares.
- A Península Ibérica é a mais afetada, com a Espanha perdendo mais de 400 mil hectares e Portugal, mais de 270 mil hectares.
- Fatores como uma onda de calor sem precedentes e seca extrema contribuíram para a gravidade dos incêndios.
- A Comissão Europeia recomenda que os países-membros se preparem para emergências ambientais, enquanto a COP30 será uma oportunidade para compromissos sobre redução de emissões de gases do efeito estufa.
A União Europeia enfrenta a pior temporada de incêndios florestais de sua história, com mais de 1 milhão de hectares queimados até agora em 2023. Esse número, que supera todos os recordes anteriores, levanta preocupações sobre a gestão ambiental e a preparação climática no bloco. Dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) mostram que a área devastada é maior que o Chipre e equivale a quase um terço da Bélgica.
Desde janeiro, foram consumidos 1.016.000 hectares pelo fogo, sendo que o recorde anterior, de 2017, era de cerca de 988 mil hectares. A situação se agravou a partir de 5 de agosto, quando quase dois terços da área total queimada foram registrados. A Península Ibérica é a mais afetada, com Espanha e Portugal liderando as perdas. A Espanha perdeu mais de 400.000 hectares, enquanto Portugal viu suas chamas consumirem mais de 270.000 hectares, representando cerca de 3% do território nacional.
Fatores Contribuintes
A combinação de uma onda de calor sem precedentes e seca extrema tornou as florestas da região altamente inflamáveis. Especialistas alertam que a queima desenfreada de combustíveis fósseis está acelerando o aquecimento global, aumentando a frequência de eventos extremos. Além disso, as emissões de poluentes do ar, como as partículas PM2.5, atingiram níveis recordes, associadas a doenças respiratórias e mortes prematuras.
A falta de planejamento e a vegetação excessiva em terras abandonadas também são apontadas como fatores que contribuíram para a magnitude dos incêndios. Em resposta, a promotoria especial de questões ambientais da Espanha abriu uma investigação sobre a ausência de planos de prevenção.
Preparação e Compromissos
A Comissão Europeia orientou os países-membros a se prepararem para emergências, incluindo crises ambientais. Essa recomendação reflete a percepção de que a instabilidade se tornou a norma. A COP30, reunião de clima da ONU, será uma oportunidade crucial para que os países se comprometam a abandonar combustíveis fósseis. Até agora, cerca de 80% dos países não enviaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que demonstram os compromissos para reduzir emissões de gases do efeito estufa.
Durante a Rio Climate Action Week, Pablo Vieira, diretor global da NDC Partnership, expressou esperança em compromissos mais ambiciosos até a COP30. O atraso na entrega das NDCs é atribuído à busca por metas mais realistas e implementáveis, mas a implementação continua sendo um desafio, especialmente no atual cenário geopolítico.
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