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Congo permite exploração de petróleo em seus valiosos bosques primários

Governo da República Democrática do Congo leiloa áreas de floresta virgem, gerando preocupações sobre impactos ambientais e sociais urgentes

Operações de gás e petróleo no Congo. (Foto: Bertrand Godfroid/Getty Images/iStockphoto)
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  • O governo da República Democrática do Congo lançou um novo concurso para exploração de 67 milhões de hectares de floresta virgem.
  • A iniciativa gera preocupações sobre o impacto ambiental e a saúde das comunidades locais, que habitam a região.
  • A RDC já produz 18 mil barris de petróleo por dia, principalmente pela empresa Perenco, e a cidade de Muanda enfrenta problemas de saúde relacionados à exploração.
  • O novo leilão inclui 52 blocos para extração de gás e petróleo, provocando resistência de comunidades e organizações ambientais.
  • Apesar de uma iniciativa ambiental apresentada no Fórum de Davos, 72% da área proposta para proteção está sob os novos blocos petrolíferos.

O governo da República Democrática do Congo (RDC) anunciou um novo concurso para a exploração de mais da metade do território nacional, abrangendo 67 milhões de hectares de floresta virgem. Essa iniciativa levanta preocupações sobre o impacto ambiental e a saúde das comunidades locais, já que a área é lar de diversas espécies ameaçadas e desempenha um papel crucial na luta contra as mudanças climáticas.

A RDC já é um país produtor de petróleo, com uma produção diária de 18 mil barris extraídos principalmente pela empresa Perenco. A cidade de Muanda, que enfrenta sérios problemas de saúde e ambientais, é um exemplo das consequências da exploração petrolífera, como a contaminação da água e o aumento de doenças respiratórias e dermatológicas. Em 2022, o governo tentou leiloar 27 blocos para exploração, mas a forte oposição resultou na retirada das propostas.

Impactos Ambientais e Sociais

O novo leilão inclui 52 blocos destinados à extração de gás e petróleo, o que gerou resistência de comunidades locais e organizações ambientais. Pascal Mirindi, coordenador da campanha Nossa Terra Sem Petróleo, destacou que a exploração pode devastar um dos principais pulmões do planeta, afetando 39 milhões de congoleses que vivem em harmonia com a natureza.

Além disso, a bacia do rio Congo é um ecossistema vital, sendo a segunda maior floresta tropical do mundo. As turberas da região armazenam grandes quantidades de carbono, e a exploração pode liberar milhões de toneladas de CO₂, contribuindo para o aquecimento global. Apesar da oposição, o governo busca atrair investimentos, especialmente de empresas dos Estados Unidos, em um contexto de competição geopolítica com a China.

Contradições Governamentais

Em um movimento contraditório, a RDC apresentou uma iniciativa ambiental no Fórum de Davos para criar um corredor ecológico que protegeria 100 mil quilômetros quadrados de florestas intactas. No entanto, 72% dessa área está sob os novos blocos petrolíferos que o governo pretende leiloar. Mirindi criticou essa incoerência, afirmando que os interesses políticos estão acima da proteção ambiental.

A campanha Nossa Terra Sem Petróleo defende a cancelamento total das novas concessões e a proteção rigorosa da região. O apelo é por um desenvolvimento sustentável que respeite os direitos das comunidades indígenas e preserve a biodiversidade, enfatizando que a crise climática é uma realidade urgente que não pode ser ignorada.

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