- O financiamento climático global em 2023 alcançou US$ 1,9 bilhão, com 94% destinado à mitigação das mudanças climáticas.
- Especialistas pedem uma mudança de foco para incluir a adaptação às mudanças climáticas, considerando-a uma questão de sobrevivência.
- O presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo, Marcelo Barbosa Saintive, anunciou planos de adaptação específicos para microrregiões, enfatizando a importância de diagnósticos locais.
- A especialista Caroline Dihl Prolo afirmou que investir em iniciativas sustentáveis é financeiramente viável e uma estratégia racional.
- O evento “COP30 Amazônia” busca discutir o papel do financiamento climático na adaptação às mudanças climáticas.
O financiamento climático está em foco, com especialistas alertando para a necessidade urgente de adaptação às mudanças climáticas. Durante o painel “Dos bancos de desenvolvimento a soluções inovadoras do mercado”, realizado em São Paulo, foi destacado que 94% do financiamento climático em 2023 ainda se destina à mitigação. Tatiana Assali, da Environmental Resources Management (ERM), enfatizou que é crucial migrar de uma abordagem focada apenas na mitigação para uma que também considere a adaptação.
Assali apontou que, em 2023, o financiamento climático global alcançou US$ 1,9 bilhão, um valor considerado insuficiente. Segundo ela, a adaptação é uma questão de sobrevivência, e as mudanças necessárias nas infraestruturas e modelos de negócios devem ser tratadas com urgência. “Adaptar as infraestruturas leva tempo e essas adaptações não vão deixar de existir”, afirmou.
Planos de Adaptação
Marcelo Barbosa Saintive, presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), revelou que o estado está desenvolvendo um plano de adaptações específicas para cada microrregião. Ele destacou a importância de um diagnóstico preciso para entender as necessidades locais e criar instrumentos financeiros que ajudem as empresas a se adaptarem às questões climáticas.
Os especialistas também ressaltaram que os investimentos em iniciativas sustentáveis são financeiramente viáveis. Caroline Dihl Prolo, da fama re.capital, argumentou que direcionar recursos para enfrentar as mudanças climáticas não é apenas uma questão ambiental, mas uma estratégia racional. “É possível investir no que é cinza, no que é marrom e transformar isso em verde”, disse.
Urgência nas Finanças Sustentáveis
Assali reiterou que as mudanças para uma economia de baixo carbono devem começar “pelo bolso”. Ela defendeu que o setor financeiro precisa demonstrar que investir em projetos sustentáveis é uma boa oportunidade de negócio. O evento “COP30 Amazônia”, promovido pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com apoio de diversas instituições, busca fomentar discussões sobre o papel do financiamento climático na adaptação às mudanças climáticas.
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