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Indígenas enfrentam seca e migram entre aldeias e cidades em busca de sobrevivência

Secas extremas forçam migração de famílias kokama, resultando em crises de saúde, água potável e educação na Amazônia.

Foto: Reprodução
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  • As comunidades indígenas da Amazônia, como a aldeia de São José do Uruburetama, enfrentam secas extremas em 2023 e 2024.
  • Apenas três das 22 famílias kokama permaneceram na aldeia; as demais migraram para a cidade em busca de saúde e segurança.
  • A seca afetou o lago Mamiá, que fornece água, resultando em água turva e insalubre, aumentando casos de diarreia e malária em Coari.
  • As famílias kokama enfrentam dificuldades financeiras na cidade, dependendo do Bolsa Família e vivendo em condições precárias.
  • A educação das crianças foi prejudicada, com a única escola da aldeia funcionando apenas cinco meses por ano devido à seca.

As comunidades indígenas da Amazônia, especialmente a aldeia de São José do Uruburetama, enfrentam uma grave crise devido às secas extremas de 2023 e 2024. Apenas três das 22 famílias kokama permaneceram na aldeia durante esse período crítico, enquanto as demais migraram para a cidade em busca de saúde e segurança.

A seca histórica afetou drasticamente a rotina da comunidade, localizada na zona rural de Coari, Amazonas. O lago Mamiá, que fornece água, secou a níveis alarmantes, dificultando o transporte e o acesso a serviços essenciais. Os fenômenos climáticos, como o El Niño, intensificaram essas secas, que agora são consideradas “sem precedentes” por especialistas.

A água disponível na aldeia tornou-se turva e insalubre, levando a um aumento nos casos de diarreia e outras doenças, especialmente entre crianças e idosos. Valcineto Moreira, agente de saúde local, relatou que a água tratada com cloro não é suficiente para evitar doenças. Em 2023, Coari registrou o maior número de casos de malária em cinco anos, com um aumento de 41% em relação ao ano anterior.

A migração para a cidade trouxe novos desafios. As famílias kokama enfrentam dificuldades financeiras e dependem do Bolsa Família como principal fonte de renda. A vida urbana é marcada por precariedade, com muitos se amontoando em casas de parentes. Tandara Nunes, uma das migrantes, destacou que na cidade a falta de dinheiro significa fome, ao contrário da aldeia, onde a subsistência é mais viável.

A educação também foi severamente impactada. Durante as secas, as crianças não conseguem chegar à única escola da aldeia, resultando em um ano letivo reduzido a apenas cinco meses. A cacique Ediane Freitas alertou sobre as perdas educacionais e a necessidade de um planejamento que considere a realidade das comunidades isoladas. A falta de aulas presenciais e apoio pedagógico compromete o aprendizado das crianças.

Os desafios enfrentados pela comunidade kokama refletem a urgência de políticas públicas que garantam assistência durante eventos climáticos extremos. Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, enfatizou a necessidade de uma mudança rápida nas políticas para evitar crises climáticas cada vez mais severas.

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