- Quatro comunidades quilombolas na divisa de São Paulo e Paraná cultivam alimentos sustentáveis há duas décadas, mas enfrentam dificuldades para escoar sua produção.
- Recentemente, agricultores relataram a perda de toneladas de produtos, como bananas e pupunhas, devido à falta de infraestrutura.
- A única passagem entre as margens do rio Pardo é uma ponte improvisada, que não suporta o peso necessário para o transporte.
- Prefeituras se comprometeram a construir estradas e uma nova ponte, mas a execução depende de recursos e projetos municipais.
- As comunidades, que somam cerca de 640 pessoas, enfrentam um cenário crítico, com muitos produtos estragando antes da colheita.
As comunidades quilombolas Areia Branca, Estreitinho, Córrego do Franco e Três Canais, localizadas na divisa entre São Paulo e Paraná, enfrentam sérios desafios para escoar sua produção agrícola sustentável. Há duas décadas, essas comunidades cultivam alimentos sem agrotóxicos, mas a falta de infraestrutura tem levado à perda significativa de produtos.
Recentemente, agricultores relataram que toneladas de bananas, pupunhas e outros alimentos apodrecem devido à dificuldade de transporte. A única passagem entre as margens do rio Pardo é uma ponte improvisada, construída em 1994, que não suporta o peso necessário para o escoamento. O agricultor Valdeci Rodrigues destaca que muitas vezes as bananas ficam no pé, sem poder ser colhidas.
Em uma reunião recente, representantes das prefeituras se comprometeram a construir estradas e uma nova ponte, mas a execução depende de recursos e projetos municipais. O secretário de Infraestrutura do Paraná, Sandro Alex Cruz, enfatizou que as prefeituras precisam elaborar os projetos e que o estado pode oferecer apoio financeiro, mas não pode assumir a responsabilidade total.
Situação Crítica
As comunidades, que somam cerca de 640 pessoas, enfrentam um cenário crítico. Em Areia Branca, por exemplo, 25 famílias cultivam diversas frutas e vegetais, mas a falta de acesso adequado compromete a colheita. O agricultor Valdecir Batista estima que, em uma temporada, perdeu 500 caixas de bananas devido à impossibilidade de transporte.
No Estreitinho, a situação é ainda mais complicada, com a maioria dos produtores optando por criar gado, já que as frutas estragam rapidamente. A travessia é feita com um bote inflável, que se torna inviável em períodos de cheia. O presidente da Associação Quilombola, Oraci Bandeira, afirma que a comunidade depende desse transporte precário para acessar serviços essenciais.
Compromissos e Esperanças
O prefeito de Adrianópolis, Vandir Veterinário, mencionou que a Defesa Civil já protocolou um pedido para uma ponte emergencial, enquanto o prefeito de Barra do Turvo, Victor Maruyama, afirmou que está nos planos da prefeitura construir uma ponte de alvenaria. No entanto, não há um prazo definido para a conclusão das obras, deixando as comunidades em uma situação de incerteza.
As dificuldades enfrentadas por essas comunidades quilombolas ressaltam a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura para garantir o escoamento de suas produções e a melhoria da qualidade de vida local.
Entre na conversa da comunidade