- A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) discutirá no final deste mês uma proposta para eliminar as gorduras trans industrialmente produzidas da dieta global.
- Essas gorduras, presentes em muitos alimentos ultraprocessados, aumentam o risco de doenças cardíacas e morte.
- Cerca de 60 países já estão eliminando essas substâncias, com nove nações tendo removido completamente as gorduras trans de sua oferta alimentar.
- Pesquisadores alertam para a necessidade de uma definição clara de alimentos ultraprocessados para evitar que a proposta da ONU desencoraje o consumo de alimentos essenciais, especialmente em regiões vulneráveis.
- A classificação NOVA, que categoriza alimentos pelo nível de processamento, é utilizada em políticas de saúde pública, mas especialistas destacam que a simples categorização não é suficiente.
A Assembleia Geral da ONU, que ocorrerá no final deste mês, discutirá uma proposta para eliminar as gorduras trans industrialmente produzidas da dieta global. Essas substâncias, presentes em muitos alimentos ultraprocessados, são conhecidas por aumentar o risco de doenças cardíacas e morte. Atualmente, cerca de 60 países já estão em processo de eliminação dessas gorduras, com a Organização Mundial da Saúde certificando que nove nações conseguiram removê-las completamente de sua oferta alimentar.
Entretanto, uma coalizão de pesquisadores e instituições de saúde pública, especialmente na Europa e em países de baixa e média renda, alerta para a necessidade de uma definição clara do que são alimentos ultraprocessados. O objetivo é evitar que a proposta da ONU desencoraje o consumo de alimentos essenciais para a nutrição, especialmente em regiões mais vulneráveis. A preocupação é que a linguagem atual da declaração não distingue adequadamente entre as gorduras trans naturais e as industrialmente produzidas.
A Importância da Definição
A discussão sobre alimentos ultraprocessados é complexa. Esses produtos, que incluem itens como bolos e fast foods, são frequentemente ricos em açúcar, sal e gorduras saturadas. A classificação NOVA, desenvolvida pelo pesquisador Carlos Monteiro, categoriza os alimentos com base no nível de processamento. Essa classificação tem influenciado políticas de saúde pública em vários países, especialmente na América Latina, onde medidas como rotulagem e impostos sobre alimentos não saudáveis estão em vigor.
Pesquisadores também destacam que a simples categorização por processamento não é suficiente. Fatores como palatabilidade e densidade calórica influenciam as escolhas alimentares. Além disso, a categoria de ultraprocessados abrange uma variedade de produtos, desde pães até alimentos infantis, o que complica ainda mais a questão.
Desafios e Oportunidades
A necessidade de uma definição uniforme é reconhecida por especialistas, incluindo o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr. No Reino Unido, estudos estão sendo realizados para avaliar a percepção pública sobre esses alimentos. A crescente preocupação com a obesidade e a má nutrição exige que intervenções governamentais sejam cuidadosas, equilibrando a necessidade de restringir alimentos prejudiciais e garantir o acesso a opções saudáveis para todos.
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