- O iceberg A23a, que se desprendeu da Antártida em 1986, está derretendo rapidamente em águas mais quentes do Oceano Austral.
- Seu tamanho foi reduzido de quatro mil quilômetros quadrados para mil setecentos e setenta quilômetros quadrados.
- O iceberg, que pesava cerca de um bilhão de toneladas no início de 2023, está se fragmentando ao se mover para o norte.
- Cientistas alertam que, devido ao aumento da temperatura da água, o A23a pode se tornar irreconhecível em poucas semanas.
- O derretimento do iceberg pode impactar a vida marinha local, afetando pinguins e focas na região da Geórgia do Sul.
Um gigantesco iceberg, conhecido como A23a, está passando por um derretimento acelerado em águas mais quentes do Oceano Austral. Desde que se desprendeu da Antártida em 1986, o bloco de gelo, que já foi considerado o maior do mundo, teve seu tamanho reduzido de 4.000 km² para 1.770 km².
O A23a, que pesava cerca de 1 bilhão de toneladas no início de 2023, está se fragmentando à medida que se desloca para o norte, em direção a regiões menos frias. O oceanógrafo Andrew Meijers, do Instituto de Pesquisa Antártica do Reino Unido, afirmou que o iceberg está “se deteriorando desde a base” devido às altas temperaturas da água. Ele prevê que, nas próximas semanas, o iceberg se tornará irreconhecível.
Impactos Ambientais
O A23a ficou preso ao leito oceânico no Mar de Weddell por mais de três décadas. Em 2020, começou a se mover novamente, arrastado pela corrente circumpolar antártica. Em março de 2025, encalhou próximo à Geórgia do Sul, levantando preocupações sobre a subsistência de pinguins e focas na região. A movimentação do iceberg e seu derretimento podem impactar a vida marinha local, alterando o ecossistema.
Cientistas expressaram surpresa pela longevidade do A23a, já que a maioria dos icebergs não sobrevive tanto tempo após deixar a proteção do clima antártico. A formação de icebergs é um fenômeno natural, mas a Antártida tem visto um aumento na produção desses blocos de gelo, possivelmente devido às mudanças climáticas induzidas por atividades humanas.
Mudanças Climáticas
Desde o ano 2000, as plataformas de gelo da Antártida perderam cerca de 6 trilhões de toneladas de massa, um fenômeno ligado ao aquecimento global. Pesquisadores alertam que, se a temperatura global continuar a subir entre 1,5°C e 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, o derretimento das calotas polares pode elevar o nível do mar em vários metros, atingindo um ponto sem retorno. O ano passado foi o primeiro em que a temperatura média global ultrapassou 1,5°C, reforçando a urgência de ações contra as mudanças climáticas.
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