- Moradores do povoado do Salobra, em Miranda (MS), enfrentaram dificuldades durante as queimadas de 2024, com estradas bloqueadas e aulas suspensas.
- A comunidade viveu meses expostos à fumaça, lidando com a escassez de água potável e a falta de saneamento básico.
- Marinalva Oriozola Barbosa, presidente da associação de moradores, lidera esforços para garantir acesso à água.
- A brigada voluntária formada em dezembro de 2023, com apoio da SOS Pantanal, busca proteger a população e os recursos naturais.
- A Prefeitura de Miranda planeja instalar uma Estação de Tratamento de Água (ETA) até 2026, mas a situação de saneamento é crítica, com riscos à saúde devido à contaminação da água.
Moradores do povoado do Salobra, em Miranda (MS), enfrentaram dias de terror durante as queimadas de 2024. A comunidade, cercada pelas chamas, viu suas estradas bloqueadas e as aulas suspensas, vivendo meses imersos em fumaça. O trauma das queimadas, no entanto, é apenas uma parte dos desafios enfrentados pelos ribeirinhos, que lidam com a escassez de água potável e a falta de saneamento básico.
Marinalva Oriozola Barbosa, 49, presidente da associação de moradores, lidera esforços para garantir acesso à água. Ela recorda momentos de desespero, quando a comunidade se mobilizou para combater o fogo. Gilmar Pereira Oriozola, 44, tesoureiro da associação, relata ter entrado no rio para apagar focos de incêndio, enquanto tentava monitorar a situação de seus pais idosos. As noites eram especialmente difíceis, com a fumaça dificultando a respiração e causando preocupação com a saúde dos mais velhos.
A formação de uma brigada voluntária em dezembro de 2023, com apoio da SOS Pantanal, foi uma resposta à urgência de proteger a população e os recursos naturais. Os moradores buscam melhorias na infraestrutura hídrica, uma necessidade premente diante das mudanças climáticas que agravam a seca e os incêndios. A água do rio Salobra, que banha a comunidade, é salobra e imprópria para consumo, levando os moradores a depender de fontes inseguras.
A precariedade do saneamento é alarmante. As fossas rudimentares, muitas vezes mal construídas, podem contaminar os poços de água, resultando em riscos à saúde. O poço semiartesiano que abastece a comunidade está próximo de uma fossa da escola, aumentando a preocupação com a qualidade da água. A situação se agravou após a participação no projeto Águas que Falam, que revelou a contaminação da água por coliformes fecais.
A Prefeitura de Miranda anunciou a instalação de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) até 2026, mas a urgência da situação é evidente. Os moradores, que dependem do rio para sua subsistência, notam a diminuição da fauna aquática e a escassez de turistas, refletindo as consequências das queimadas e da poluição. A luta por água potável e saneamento básico continua, enquanto as cicatrizes das queimadas ainda marcam a vida no Pantanal.
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