- Um estudo publicado na revista Nature aponta que 50% do aumento das ondas de calor entre 2000 e 2023 é atribuído a 180 grandes emissoras de combustíveis fósseis e cimento.
- O grupo, conhecido como “carbon majors”, inclui empresas como ExxonMobil, Saudi Aramco e Shell.
- A pesquisa analisou 213 ondas de calor em 63 países, revelando que 25% desses eventos seriam praticamente impossíveis sem a influência humana.
- As ondas de calor se tornaram 20 vezes mais prováveis nos anos 2000 e até 200 vezes mais frequentes na década seguinte em comparação ao período pré-industrial.
- O estudo abre caminho para ações judiciais contra essas empresas, pois a metodologia permite quantificar a responsabilidade de cada emissor.
Um estudo publicado na revista *Nature* revela que 50% do agravamento das ondas de calor entre 2000 e 2023 pode ser atribuído a 180 grandes emissoras de combustíveis fósseis e cimento. O grupo, conhecido como “carbon majors”, inclui empresas como ExxonMobil, Saudi Aramco e Shell. A pesquisa analisou 213 ondas de calor em 63 países, destacando que, sem a influência humana, 25% desses eventos seriam praticamente impossíveis.
Os dados mostram que as ondas de calor se tornaram 20 vezes mais prováveis nos anos 2000 e até 200 vezes mais frequentes na década seguinte em comparação ao período pré-industrial. A intensidade média desses eventos aumentou significativamente, com um crescimento de 2,2 °C nos últimos quatro anos. O estudo também indica que 55 ondas de calor ocorreram exclusivamente devido ao aquecimento global causado por atividades humanas.
Implicações Legais
A pesquisa abre novas possibilidades para ações judiciais contra essas empresas. Especialistas afirmam que a metodologia utilizada permite quantificar a responsabilidade de cada emissor. Juristas do Sabin Center for Climate Change Law destacam que nenhum tribunal até agora responsabilizou financeiramente as empresas pelas mudanças climáticas, apesar da robustez das evidências científicas.
Além das grandes multinacionais, empresas menores também contribuíram para o aumento das ondas de calor, com algumas sendo responsáveis por 16 a 53 eventos que não teriam ocorrido em um clima estável. Os 180 maiores emissores representam três quartos das emissões globais de CO₂ desde o século XIX.
Desafios e Avanços
O estudo é considerado um avanço na conexão entre desastres climáticos e as empresas responsáveis. Nos Estados Unidos, estados como Vermont e Nova York já aprovaram leis para responsabilizar empresas de combustíveis fósseis. A Corte Internacional de Justiça também decidiu que governos podem ser obrigados a compensar danos por não prevenirem impactos climáticos. No entanto, a transformação dessas evidências em condenações judiciais ainda enfrenta desafios legais significativos.
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