- Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Observatório do Clima indicam que a Petrobras deve diversificar seu portfólio e investir em energia limpa.
- A estatal planeja investir US$ 111 bilhões até 2029, mas apenas US$ 9,1 bilhões são destinados a iniciativas de baixo carbono.
- A dependência do petróleo pode levar a projetos financeiramente inviáveis, especialmente na Foz do Amazonas.
- O professor Helder Queiroz, da UFRJ, afirma que a exploração de petróleo é necessária, mas é importante focar em alternativas sustentáveis.
- As recomendações incluem aumentar investimentos em biocombustíveis, desenvolver hidrogênio de baixo carbono e criar infraestrutura para veículos elétricos.
A Petrobras pode se transformar em uma referência em energia limpa, segundo estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Observatório do Clima, divulgados nesta terça-feira (16). As análises sugerem que a estatal deve diversificar seu portfólio e investir em tecnologias sustentáveis para alinhar-se às metas climáticas.
Atualmente, a estratégia da Petrobras é centrada no petróleo, com um plano de negócios que prevê investimentos de US$ 111 bilhões até 2029, dos quais apenas US$ 9,1 bilhões são destinados a iniciativas de baixo carbono. Os pesquisadores alertam que essa dependência pode resultar em projetos inviáveis financeiramente, especialmente em novas áreas de exploração, como na Foz do Amazonas.
O professor Helder Queiroz, da UFRJ, destacou que a exploração de petróleo continuará sendo necessária, mas é crucial focar na demanda e nas alternativas de substituição. Ele também mencionou que a fragmentação geopolítica pode dificultar a transição energética, uma vez que grandes petroleiras, como Shell e BP, têm recuado em seus investimentos em energias renováveis.
Diretrizes para a Transição Energética
Os estudos propõem várias rotas para a Petrobras, incluindo:
- Aumento de investimentos em biocombustíveis de segunda e terceira geração.
- Desenvolvimento de hidrogênio de baixo carbono.
- Criação de infraestrutura para veículos elétricos.
Além disso, recomenda-se que a estatal utilize parte de seus dividendos para financiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Isso poderia ajudar o Brasil a cumprir suas metas de redução de emissões, que variam entre 59% e 67% até 2035.
Suely Araújo, do Observatório do Clima, enfatizou que a Petrobras deve reduzir progressivamente sua dependência do petróleo e expandir suas operações em outras áreas de energia. As análises foram fundamentadas em dados do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás e em cenários globais da Agência Internacional de Energia, além de considerar as diretrizes do Acordo de Paris.
Os estudos ressaltam a necessidade de a Petrobras rever suas prioridades e redirecionar recursos para setores de baixo carbono, aumentando assim seus investimentos em transição energética e mitigação.
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