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Poluição do ar é responsável por 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, alerta relatório

Estudo da Zero Carbon Analytics aponta que desigualdades sociais e dependência de combustíveis fósseis agravam os impactos da poluição infantil, com o Brasil entre os países mais afetados

Imagem: Reprodução
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  • A Zero Carbon Analytics divulgou um relatório sobre o impacto da poluição do ar na saúde infantil.
  • Dados do Global Burden of Disease (GBD) mostram que centenas de milhares de crianças morrem anualmente devido à poluição, e milhões sofrem sequelas permanentes.
  • O pneumologista Felipe Saddy destaca que a poluição do ar prejudica os pulmões e agrava doenças como asma, além de aumentar o risco de parto prematuro durante a gestação.
  • No Brasil, em 2021, cerca de 1.600 crianças morreram por causas ligadas à poluição, com incêndios florestais e queima de biomassa como principais fatores.
  • O relatório propõe soluções como cadeias produtivas livres de desmatamento e financiamento internacional para promover a produção sustentável e proteger florestas.

A Zero Carbon Analytics divulgou um novo relatório sobre o impacto da poluição do ar na saúde infantil. Dados do Global Burden of Disease (GBD) indicam que, todos os anos, centenas de milhares de crianças morrem em decorrência da poluição, enquanto milhões sofrem sequelas permanentes. Esses efeitos são agravados por desigualdades econômicas e problemas estruturais, como a falta de infraestrutura adequada, o uso insustentável do solo e a dependência de combustíveis fósseis.

Segundo o pneumologista Felipe Saddy, a poluição do ar é uma “agressão invisível” que danifica os pulmões, aumenta infecções e agrava a asma. Durante a gestação, o ar contaminado pode elevar o risco de parto prematuro e de baixo peso ao nascer.

Mortes e doenças relacionadas

O relatório, intitulado *“Structural dependencies perpetuate disproportionate childhood health burden from air pollution”*, revela que mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos estão relacionadas à poluição do ar e que elas morrem em taxas até seis vezes maiores que as de adultos. A contaminação começa ainda no útero e pode causar doenças crônicas ao longo da vida, principalmente em comunidades pobres.

Tanto a poluição externa quanto a doméstica provocam doenças respiratórias, cardiovasculares e cognitivas. O estudo analisa casos da África do Sul, Brasil, Nigéria e Bangladesh, apontando fontes como usinas a carvão, incêndios florestais, queima de combustíveis sólidos e tráfego urbano.

Situação no Brasil

No Brasil, em 2021, cerca de 1.600 crianças morreram por causas ligadas à poluição, o que equivale a quase quatro por dia. Os principais fatores são os incêndios florestais e a queima de biomassa. Em regiões como a Amazônia, 60% da população está exposta a níveis perigosos de poluição, com crianças e idosos entre os mais afetados.

As mudanças climáticas e o desmatamento intensificam os incêndios, cuja fumaça alcança grandes centros urbanos e eleva a incidência de doenças respiratórias. Em 2024, as internações por problemas respiratórios aumentaram 27,6% no Brasil e 77% entre crianças em São Paulo.

Além dos danos respiratórios, a exposição à fumaça durante a gestação representa um risco significativo ao desenvolvimento infantil. No Sudeste, ela aumenta em 41% as chances de parto prematuro; no Norte, eleva em 5% esse risco; e no Sul, está associada a um aumento de 18% nos casos de baixo peso ao nascer. A presença de poluentes como PM10 e monóxido de carbono também está relacionada ao menor peso ao nascer e à maior probabilidade de defeitos congênitos, incluindo anomalias respiratórias e neurológicas.

Desigualdade e soluções globais

O relatório destaca que esses impactos são resultado de um modelo de exportação agroindustrial baseado na conversão de terras e na produção de commodities cujos preços não refletem os danos à saúde e ao clima. Entre as soluções propostas estão a adoção de cadeias produtivas livres de desmatamento, rastreabilidade completa e financiamento internacional voltado à produção sustentável e à proteção das florestas.

A pesquisadora Joanne Bentley-McKune enfatiza que crianças em países pobres têm até 94 vezes mais chances de morrer por poluição do ar do que em nações ricas. “Isso é uma questão de justiça social, e não apenas ambiental”, afirma. “Romper esse ciclo exige ação global e transição para energia limpa.”

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