- Em Joanesburgo, a cultura do ciclismo, antes vista como privilégio da elite ou opção para os pobres, passa por transformação impulsionada por grupos como Girls on Bikes e Banditz Bicycle Club, que promovem mobilidade e expressão cultural entre jovens, especialmente mulheres.
- A cidade, com quase cinco milhões de habitantes, é marcada por um urbanismo que não favorece ciclistas, e menos de 1,5% da população utiliza a bicicleta como meio de transporte.
- Iniciativas lideradas por Karabo Mashele organizam passeios para mulheres, buscando mudar a percepção sobre a presença de pessoas negras em áreas mais ricas da cidade.
- Titi Mashele, fundador do Banditz Bicycle Club, afirma que ver pessoas de cor em bicicletas é uma declaração política e ressalta a importância de uma comunidade inclusiva e acessível.
- Jovens como Percy Zimuto e Lesedi Mosima, do grupo Sentech Croozers, promovem passeios que conectam regiões da cidade, unindo arte, movimento e identidade, em sintonia com a cultura Stance que assume as bikes como expressão cultural.
Em Joanesburgo, a cultura do ciclismo, antes vista como um privilégio da elite ou uma opção para os mais pobres, está passando por uma transformação. Grupos como Girls on Bikes e Banditz Bicycle Club têm promovido a mobilidade e a expressão cultural entre os jovens, especialmente mulheres, desbravando a cidade e suas desigualdades.
A cidade, com quase 5 milhões de habitantes, é marcada por um urbanismo que não favorece ciclistas. Menos de 1,5% dos moradores utilizam a bicicleta como meio de transporte. Historicamente, as áreas metropolitanas sul-africanas mantêm traços do apartheid, onde a maioria dos ciclistas é composta por trabalhadores migrantes. Contudo, iniciativas como as lideradas por Karabo Mashele, que organiza passeios para mulheres, estão mudando essa realidade.
Reivindicando Espaço
Karabo, de 32 anos, aprendeu a andar de bicicleta apenas aos 29. Ela lidera passeios que atraem até 25 mulheres, buscando não apenas promover o ciclismo, mas também mudar a percepção sobre a presença de pessoas negras em áreas mais ricas. “É uma declaração política ver pessoas de cor em bicicletas”, afirma Titi Mashele, fundador do Banditz Bicycle Club. Ele destaca a importância de criar uma comunidade inclusiva e acessível.
Além disso, a cultura do ciclismo em Joanesburgo também se entrelaça com a Stance culture, que surgiu com carros e agora se expande para o mundo das bicicletas. Jovens como Percy Zimuto e Lesedi Mosima, do grupo Sentech Croozers, estão inovando ao personalizar suas bikes, misturando arte e movimento. Eles organizam passeios que conectam diferentes regiões da cidade, promovendo um senso de pertencimento e identidade.
Mudança Cultural
Essas iniciativas não apenas desafiam estereótipos, mas também criam um novo espaço para a expressão cultural. Os jovens estão utilizando as bicicletas como uma forma de se afirmar e se conectar com suas comunidades, contribuindo para uma reconfiguração social em Joanesburgo. O ciclismo, portanto, se transforma em uma ferramenta de inclusão e empoderamento, promovendo mudanças significativas nas dinâmicas urbanas da cidade.
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