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Casal transforma campo de milho antigo em lar integrado à paisagem do interior

Casal de arquitetos transforma campo de milho em casa integrada à paisagem de Atibaia, com convivência entre oito famílias e ateliê coletivo

TERRENO | A casa foi construída do zero em um sítio compartilhado por sete famílias, sem divisão de lotes, que no início era apenas uma área degradada pelo plantio de milho. Regenerado ao longo de 12 anos pelos moradores, o terreno hoje é fértil, com paisagem exuberante, presença de aves, capivaras, macacos e até onças, além de ser autossuficiente em raízes, hortaliças e frutíferas
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  • Casal de arquitetos Mariana Weigand e André Weigand transformou um antigo campo de milho em uma casa de 215 m² em Atibaia, interior de São Paulo, compartilhada com mais sete famílias.
  • O imóvel foi construído do zero em três módulos térreos conectados, com ambientes integrados à paisagem e implantação que privilegia ventilação natural e iluminação.
  • A reforma utilizou técnicas tradicionais e materiais locais, com caiação na fachada que ganha tonalidade conforme o clima.
  • A autonomia do sítio inclui fossas ecológicas, energia fotovoltaica de parque solar comum, hortas, galinheiro orgânico e convivência com fauna local.
  • O espaço funciona como residência, ateliê e escritório do casal, que também administra a WG Galeria, mantendo um estilo de vida conectado à natureza, à arte e à comunidade.

A casa de 215 m² fica em Atibaia, interior de São Paulo, e nasceu da ideia de casar vida, trabalho e natureza em um único território. O casal de arquitetos Mariana Weigand e André Weigand, da am.studio, transformou um antigo campo de milho em um espaço compartilhado com mais seis famílias de amigos, formando uma comunidade integrada ao sítio.

O imóvel funciona como refúgio familiar e espaço de trabalho, abrigando o ateliê dos proprietários e a WG Galeria, criada por eles. A obra foi construída do zero, com base em técnicas tradicionais, materiais simples e mão de obra local, para estabelecer uma ligação direta com a paisagem regenerada ao longo de 12 anos.

Contexto e implantação

A morada organiza-se em três módulos térreos conectados por passagens envidraçadas e jardins contínuos, promovendo ventilação e iluminação naturais. Um bloco recebe escritório e hóspedes, outro abriga sala de estar e cozinha, e a última ala reúne dormitórios e lavanderia.

A fachada utiliza tons do solo local, obtidos a partir da caiação pigmentada pela chuva que atingiu as paredes durante a obra. O acabamento natural varia conforme o clima, fortalecendo a integração com o entorno. A implantação segue uma modulação de 8 metros, priorizando eficiência construtiva e vãos bem iluminados.

Infraestrutura e vida no entorno

Sem infraestrutura básica prévia, o terreno demandou soluções sustentáveis para abastecimento, conforto térmico e privacidade entre as residências vizinhas, todas sem muros. A sala centraliza-se para valorizar a vista da mata e da Pedra Grande, com uma varanda que recebe sombra de árvores plantadas pela equipe.

As árvores de aroeira-salsa formam um elemento vivo na paisagem, contribuindo com sombra e com um calendário natural de ciclos de lua e pôr do sol. O sítio foi reflorestado pela comunidade e hoje produz hortaliças, raízes, frutas, feijão e milho, além de abrigar um galinheiro orgânico.

Autonomia e materiais

A autonomia aparece também no abastecimento, com fossas ecológicas que alimentam as plantas e um parque solar comum que alimenta a residência. Entre os materiais, destacam-se piso de tijolos de olaria local, telhas de barro e estrutura de madeira no telhado.

A decoração combina peças coletadas ao longo da vida com itens de design brasileiro, incluindo a presença de obras próprias e de artistas parceiros. O ambiente integra objetos e obras em todos os cômodos, mantendo o foco na convivência entre gente, terra e arte.

Aspectos finais

O projeto é apresentado como uma narrativa de reconstrução do solo, do entorno e do modo de viver. A visão dos proprietários aponta para uma casa em que nada está desconectado, mantendo a relação entre casa, terra, pessoas e arte em movimento constante.

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