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Tubarão é encontrado na Antártida: como o continente gelado se tornou o principal ponto de alerta para a crise climática mundial

Com o avanço do aquecimento global, o continente se vê em uma crise de derretimento cada vez maior.

O derretimento afeta diretamente o ecossistema do local - Foto: Creative Commons.

Um tubarão dorminhoco foi registrado nas águas da Antártida em janeiro deste ano. Em imagens divulgadas pela Universidade da Austrália Ocidental, o animal aparece a 490 metros de profundidade no Oceano Antártico, um registro considerado incomum porque não havia relatos anteriores de tubarões na região. O que, à primeira vista, pode parecer apenas um registro […]

Um tubarão dorminhoco foi registrado nas águas da Antártida em janeiro deste ano. Em imagens divulgadas pela Universidade da Austrália Ocidental, o animal aparece a 490 metros de profundidade no Oceano Antártico, um registro considerado incomum porque não havia relatos anteriores de tubarões na região.

O que, à primeira vista, pode parecer apenas um registro curioso e até fofo, na verdade expõe um reflexo do cenário atual do aquecimento global.

Em entrevista à Associated Press, o biólogo conservacionista Peter Kyne, da Universidade Charles Darwin, afirmou que o registro pode estar ligado ao aquecimento global.

Com o oceano mais quente, os animais tendem a seguir as “faixas” de temperatura em que conseguem sobreviver, o que pode levar algumas espécies a aparecerem mais perto da Antártida.

Ao mesmo tempo, o derretimento do gelo despeja água doce na superfície, que se mistura menos com a água fria e densa das camadas mais profundas. Com isso, o Oceano Antártico fica ainda mais “em camadas”, o que favorece a formação de bolsões de água mais quentes em determinadas profundidades.

Com isso, a Antártida se torna um ponto central para entender a crise climática atual e os efeitos do aquecimento global.

A Antártida como indicador do aquecimento global

A Antártida fica no extremo sul do planeta e, por isso, é o continente mais frio, seco e ventoso, com gelo sobre mais de 95% da superfície. Com cerca de 14 milhões de km², possui uma área maior que a da Europa e da Oceania.

A Antártida está entre as regiões mais afetadas pelo aquecimento global, com efeitos que se espalham pelo planeta. Segundo dados do NASA Earth Observatory, em março de 2025 o continente viveu um dos períodos mais intensos de mudanças climáticas já registrados, quando a cobertura de gelo caiu para 1,98 milhão de km².

Ao mesmo tempo, a Antártida também ajuda a frear o aquecimento do planeta. O gelo do continente reflete a luz do sol e reduz a absorção de calor, mas, à medida que derrete, esse efeito diminui e o problema se agrava.

O derretimento acelerado do gelo altera correntes oceânicas e a distribuição de nutrientes, o que afeta espécies como pinguins e aves típicas da região. 

O fenômeno também influencia o clima de continentes distantes e muda padrões de chuva e de seca, o que aumenta o risco de eventos extremos, como ondas de calor e temporais em áreas do hemisfério sul, incluindo o Brasil.

Desde a década de 1990, a perda de gelo terrestre na Antártida elevou o nível do mar em 7,2 milímetros, segundo a Universidade de Leeds, o que aumenta o risco para comunidades costeiras e agrava a frequência e a intensidade de fenômenos naturais que colocam pessoas em perigo.

O derretimento não afeta apenas o clima. Ele também atinge diretamente fatores biológicos, porque facilita a entrada de resíduos, doenças e espécies vindas de outras regiões do hemisfério sul, com potencial de causar danos severos à biodiversidade local.

Outro sinal importante é a vegetação, cada vez mais visível na Antártida, que pode até chamar a atenção, mas reforça o avanço acelerado do degelo no continente. Um artigo publicado na Nature Geoscience aponta que áreas antes cobertas por gelo e rochas registraram um aumento de mais de dez vezes na vegetação em comparação com os anos 1980.

O que pode ser feito para reverter esse cenário?

Conter os impactos na Antártida passa, necessariamente, por frear o aquecimento global, uma tarefa difícil porque exige coordenação entre países e mobilização de governos e empresas.

Entre as medidas para enfrentar o problema estão reduzir as emissões de CO2 com a adoção de fontes de energia limpa, ampliar políticas mais sustentáveis nas empresas e proteger ecossistemas, já que florestas e outras áreas verdes funcionam como barreiras naturais e ajudam a conter o aquecimento global.Também é essencial monitorar o continente por satélites e investir em pesquisa, na Antártida e em outras regiões do mundo, para desenvolver novas estratégias de combate ao aquecimento global e adotar medidas capazes de conter seu avanço.

Diante desse cenário, a imagem do tubarão nas águas profundas da Antártida deixa de ser apenas um registro raro e passa a funcionar como um alerta. O que acontece no extremo sul do planeta não fica restrito a ele: repercute nas correntes oceânicas, no nível do mar, nos padrões de chuva e na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. 

A Antártida se configura como um importante termômetro das crises climáticas do planeta. Entender o que muda por lá é decisivo para evitar que registros hoje considerados incomuns se tornem parte de um novo e preocupante padrão global.

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