- Professora Ana Lucia de Britto, da UFRJ, aponta falta de transparência nas cobranças da Águas do Rio na Maré, prática observada também em Japeri.
- Em março, moradores receberam contas altas após o anúncio de investimentos de R$ 120 milhões na comunidade; em Rubens Vaz houve cobrança de até R$ 1.153.
- A associação local relata faturas sem identificação do morador, com orientação de não pagamento quando nomes e CPF não constam.
- A concessionária disse ter identificado problemas no sistema e cancelado as cobranças; não haverá cobrança pela instalação de hidrômetros nem pela ligação à rede de esgoto na Maré.
- O cadastro na tarifa social será automático e garante tarifa residencial de R$ 5, diferentemente de Japeri; ainda assim, moradores temem inadimplência e apontam necessidade de subsídio estadual.
Na Maré, moradores receberam em março as primeiras faturas da concessionária Águas do Rio, após anúncio de investimentos de 120 milhões na comunidade. A cobrança gerou surpresa e levou moradores a buscar orientações junto a associações locais.
A professora da UFRJ Ana Lucia de Britto aponta que a empresa atua com foco na ampliação de receitas, já que cobranças de água e esgoto não remuneram sozinhas os acionistas. Ela cita taxas para corte, religação e juros por inadimplência como mecanismos de caixa extra.
Cobranças nos primeiros meses
Em Rubens Vaz, uma das 16 comunidades da Maré, algumas faturas chegaram a 1.153 reais, muito acima do previsto. O presidente da associação local, Vilmar Gomes Crisóstomo, conhecido como Maga, relata relatos de contas que não estavam vinculadas a moradores cadastrados.
A tarifa prometida de cinco reais para famílias, válida por um ano, também foi questionada. Maga relata ainda faturas sem nome do morador, CPF ou endereço correto, o que gerou dúvidas sobre quem deveria pagar.
Mudanças anunciadas pela concessionária
A Águas do Rio informou ter identificado falhas no sistema e ter cancelado as cobranças. Em contraste com outras regiões, não haverá cobrança pela instalação de hidrômetros nem pela ligação à rede de esgoto na Maré.
Diferentemente de Japeri, o cadastro na tarifa social será automático para os moradores da comunidade, garantindo a tarifa residencial de cinco reais. Residências com comércio passam por avaliação separada.
Perspectivas e impacto
Apesar do cancelamento das cobranças, Maga expressa preocupação com a continuidade de inadimplência mesmo com a tarifa social. Em sua avaliação, a renda na Maré não comporta esse valor, ampliando o risco de negativação de nomes.
Como solução, ele aponta a necessidade de subsídio estatal para reduzir o peso financeiro sobre as famílias, integrada a uma agenda de justiça climática que reconheça impactos desproporcionais em comunidades pobres.
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