- Capivara atacada na Ilha do Governador, em março, foi devolvida à natureza após quase dois meses de tratamento veterinário.
- O animal sofreu traumatismo craniano, ferimentos na cabeça e nas costas, catarata e lesão na retina do olho esquerdo.
- Ela foi solta em uma área de reserva ambiental na zona oeste do Rio, com acesso restrito e menor risco de atropelamento.
- Seis homens foram denunciados pelo Ministério Público por maus-tratos com crueldade, caça ilegal, associação criminosa e corrupção de menores; todos tiveram prisão preventiva decretada.
- O caso ficou marcado pela implementação do decreto Justiça por Orelha, com o Ibama aplicando multas de R$ 160 mil no total (treze mil, cada um; oito envolvidos).
Uma capivara espancada por um grupo de homens na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, foi devolvida à natureza nesta quarta-feira (20), após quase dois meses de tratamento veterinário. O animal recebeu atendimento por traumatismo craniano e lesões graves nos olhos antes de ser solto.
A capivara, macho adulto de aproximadamente 64 quilos, foi encontrada ainda viva em um terreno baldio e resgatada pela Patrulha Ambiental. Em estado grave, precisou ser sedada para os primeiros atendimentos e encaminhada para a Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio, em Vargem Pequena.
Exames indicaram traumatismo craniano, ferimentos na cabeça e nas costas, catarata e lesão na retina do olho esquerdo. Segundo o veterinário responsável, a deficiência visual inviabilizou o retorno ao habitat original na ilha, devido ao intenso fluxo de veículos, mas a soltura em área de reserva ambiental da zona oeste foi considerada mais segura.
Soltura em área com menor risco
A nova área escolhida possui acesso restrito de pessoas e menor risco de atropelamento, favorecendo a recuperação da capivara em ambiente com condições adequadas. A decisão foi anunciada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima.
Seis homens foram denunciados pelo Ministério Público do Rio pelos crimes de maus-tratos com crueldade, caça ilegal, associação criminosa e corrupção de menores, já que dois adolescentes participavam da ação. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva para todos.
Segundo a investigação, os suspeitos disseram que pretendiam matar o animal para consumo. Uma testemunha afirmou ter reconhecido um dos homens em outra agressão contra capivaras na mesma região, dias antes.
Contexto jurídico e consequências
O caso marcou a primeira aplicação do decreto federal conhecido como Justiça por Orelha, que ampliou as multas por maus-tratos a animais. O Ibama multou os oito envolvidos em R$ 20 mil cada, totalizando R$ 160 mil.
A legislação brasileira prevê pena de detenção e multa para crimes contra animais silvestres, incluindo caça ilegal, agressões e cativeiro irregular. Em casos de maus-tratos ou animais em risco, a prefeitura orienta acionar a Central 1746.
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