- Na ponta sul de Córsega, os vinhos refletem o vento constante e o cenário costeiro, com vinhedos em encostas de calcário, granitos e xisto modelados pela força do mar.
- O ar do mar, carregado de ânions negativos, é apresentado como elemento que influencia a qualidade e a saúde das vinhas, contribuindo para vinhos com caráter salino e vivacidade.
- As três Aglomerações do sul — Corse Porto-Vecchio, Corse Figari e Corse Sartène — mostram vinhos marcados pelo ambiente oceânico, longe de serem apenas mediterrâneos “sun-kissed”.
- Entre os produtores, destaque para Clos Canarelli, com vinhos biodinâmicos de variedades raras que encantam pela elegância e complexidade (casa Simon-Paul ajuda na apresentação dos vinhos), incluindo uma linha de degustação extensa.
- A Sciaccarellu, uva estrela de Sartène, produz tintos aromáticos e estruturados, além de rosês aromáticos e vibrantes, refletindo solos graníticos e a resistência da região.
O jornalista Chris Howard viajou às pontas sul da Córsega para conhecer os vinhos que nascem sob o impacto do vento, do mar e do sol. O passeio, descrito como uma imersão pelos terroirs da ilha, buscou entender como as condições climáticas extremas moldam os vinhos locais. A reportagem observa o papel do ambiente na expressão de terroir único.
Chegando a Bonifácio, no extremo sul, o texto contextualiza a posição geográfica da ilha, com a foz do Bonifacio a separar a Córsega de Sardenha. O autor destaca que o vento constante é uma condição permanente no sul da ilha, influenciando tanto a viticultura quanto a arquitetura costeira.
A região sul abriga três appellations: Corse Porto-Vecchio, Corse Figari e Corse Sartène. Em Porto-Vecchio, os vinhedos surgem em encostas de calcário e granito expostas ao mar, com destaque para o Oriu vermelho, uma assemblage de Niellucciu e Sciaccarellu, e para a Alligria Blanc, fermentada em barrica a partir de Vermentinu.
Clos Canarelli
Na sub-região Clos Canarelli, a viticultura biodinâmica produz variedades raras em notas descritivas. O enólogo Yves Canarelli trabalha com uma seleção de vinhos que exibem elegância singular, explorando soluções de terroir em locais quase pristine. O relato menciona uma degustação vertical de cerca de 25 vinhos ao lado do filho Simon-Paul, descrita como experiência marcante pela concentração de aromas e pela evolução dos rótulos.
Corse Figari e Sartène
Em Corse Figari, o terreno fica mais aberto, com oliveiras, carvalhos de cortiça e maquis, caracterizando um cenário de vinhos de extremo potencial. A qualidade é elevada entre os nove produtores, incluindo Domaine de Tanella, Domaine de Peretti della Rocca e Domaine Nicolai, com Clos Canarelli sendo destacado como revelação regional.
O texto destaca ainda a viticultura de Corse Sartène, onde a uva Sciaccarellu se destaca pela nomenclatura que sugere “crispy-crunchy between the teeth”. Os tintos dessa variedade mostram estrutura, corpo e boa capacidade de guarda, enquanto os rosés, predominantemente de Sciaccarellu, apresentam foco aromático e vivacidade. Entre os produtores de Sartène, cassos como Domaine Castellu di Baricci e Domaine Saparale aparecem como referências.
Considerações finais
A narrativa termina reiterando que a Córsega não busca imitar Burgundy ou Barolo, mas afirmar uma identidade própria. O conjunto de vinhos das regiões sulistas é apresentado como resultado de uma interação intensa entre solo, água, ar e mar, que molda vinhos com personalidade marcante. A reportagem reforça que a ilha é um território onde o vento “fala” por meio dos vinhos da borda selvagem da serra costeira.
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