A Polícia Federal afirma que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, comandava uma estrutura dedicada a monitorar, intimidar e tentar travar investigações contra ele. As conclusões aparecem em relatório que embasou decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a PF, o grupo operava para proteger interesses do banqueiro e influenciar […]
A Polícia Federal afirma que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, comandava uma estrutura dedicada a monitorar, intimidar e tentar travar investigações contra ele. As conclusões aparecem em relatório que embasou decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, o grupo operava para proteger interesses do banqueiro e influenciar a atuação de autoridades.
Internamente, a estrutura era chamada de “A Turma” e funcionava como uma engrenagem privada de vigilância, voltada a obter dados sensíveis e pressionar críticos do Banco Master. Entre os espionados estavam ex-funcionários, concorrentes e jornalistas, como Lauro Jardim e a própria Malú Gaspar, responsável pela reportagem que revelou os esquemas do Banco Master.
De acordo com os investigadores, Vorcaro dava ordens diretas para ações de intimidação contra alvos considerados “prejudiciais” ao grupo.
Os nomes no relatório
Entre os citados pela PF está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão e apelidado de “Sicário”, apontado como peça central na execução das tarefas de monitoramento e obtenção de dados.
Mensagens analisadas pelos investigadores incluem ameaças violentas contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, com menções a agressões e até a um suposto assalto forjado.
Outro nome citado é o de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que, segundo a investigação, atuava como operador do núcleo de vigilância, usando contatos para acessar informações sensíveis e acompanhar alvos.
A PF afirma ainda que há indícios de acessos indevidos a sistemas de órgãos públicos e instituições estrangeiras, incluindo o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Interpol.
A nova fase da Operação
O caso avançou com uma nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março de 2026. Na ocasião, Vorcaro voltou a ser preso e a PF cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.
Na mesma decisão, Mendonça determinou o sequestro e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, citando “risco concreto” de interferência nas investigações — incluindo possível destruição de provas.
Segundo a PF, o esquema investigado se divide em quatro frentes principais:
- núcleo financeiro, ligado a fraudes contra o sistema financeiro
- núcleo de corrupção institucional, com cooptação de servidores do Banco Central do Brasil
- núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro
- núcleo de monitoramento e intimidação, usado para obstrução das investigações
Na vertente que envolve o Banco Central, investigadores afirmam que dois ex-chefes da supervisão bancária teriam repassado informações internas e orientado Vorcaro sobre como reagir a movimentações institucionais, em troca de vantagens indevidas.
O BC informou que identificou indícios durante uma revisão interna ligada à fiscalização e à liquidação do Banco Master, afastou cautelarmente os servidores envolvidos e encaminhou o caso à PF.
O que dizem as defesas
As defesas negam irregularidades. Advogados de Vorcaro afirmam que ele colaborou com as autoridades e que não tentou obstruir as investigações. Já a defesa de Fabiano Zettel declarou que o cliente se apresentou à PF e ainda não teve acesso completo aos autos.Entidades ligadas à liberdade de imprensa também reagiram. O Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais repudiou o conteúdo das mensagens e alertou para riscos à liberdade de imprensa e ao acesso à informação.
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