Pesquisadores da Universidade de Stanford publicaram um estudo na revista *Cell* que identifica o cromossomo X como um fator determinante na predisposição feminina a doenças autoimunes, como esclerose múltipla e lúpus. Essas condições ocorrem quando o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo, e, atualmente, não há cura, apenas tratamentos focados em dietas e […]
Pesquisadores da Universidade de Stanford publicaram um estudo na revista *Cell* que identifica o cromossomo X como um fator determinante na predisposição feminina a doenças autoimunes, como esclerose múltipla e lúpus. Essas condições ocorrem quando o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo, e, atualmente, não há cura, apenas tratamentos focados em dietas e medicamentos anti-inflamatórios. Notavelmente, quatro em cada cinco casos de doenças autoimunes afetam mulheres, com o lúpus apresentando uma proporção ainda mais alarmante de nove em cada dez afetados sendo do sexo feminino.
O estudo liderado por Howard Chang sugere que a presença de dois cromossomos X nas mulheres oferece uma forma de proteção. Quando um dos cromossomos apresenta um defeito, o outro pode compensar essa falha. Em contraste, os homens, que possuem apenas um cromossomo X, não têm essa capacidade de substituição, o que pode estar relacionado à sua menor expectativa de vida. A pesquisa também destaca o papel do gene Xist, que silencia um dos cromossomos X nas mulheres, evitando um excesso tóxico de proteínas que poderiam desencadear reações autoimunes.
Para investigar a função do Xist, os cientistas utilizaram camundongos geneticamente modificados. Os resultados mostraram que a ativação do Xist em machos, quando expostos a um irritante, levou ao desenvolvimento de lúpus, mas apenas na presença desse gatilho. Isso indica que, embora o Xist seja um fator relevante, outros elementos genéticos também são necessários para o desenvolvimento de doenças autoimunes. Ricard Cervera, especialista em imunologia, enfatiza que a pesquisa contribui para a compreensão das doenças autoimunes e pode ajudar na identificação precoce dessas condições.
Além disso, o estudo revelou que pessoas com doenças autoimunes apresentam níveis elevados de anticorpos que atacam proteínas do complexo Xist. Essa descoberta pode abrir caminho para diagnósticos mais precoces, antes da manifestação dos sintomas. Luisa Villar, imunologista, ressalta que o estudo é interessante, mas apenas uma parte do complexo quadro que envolve as doenças autoimunes, sugerindo que a expressão do Xist e fatores hormonais também devem ser considerados. Os autores reconhecem que a complexidade dessas doenças não pode ser atribuída a um único gene, refletindo a necessidade de uma abordagem mais abrangente na pesquisa.
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