Os eventos climáticos extremos no Brasil têm se tornado mais frequentes e intensos, enquanto o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) opera com apenas 96 servidores, metade do que é necessário para sua plena atuação. Criado em 2011 após a tragédia na Região Serrana do Rio, o Cemaden tem como missão […]
Os eventos climáticos extremos no Brasil têm se tornado mais frequentes e intensos, enquanto o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) opera com apenas 96 servidores, metade do que é necessário para sua plena atuação. Criado em 2011 após a tragédia na Região Serrana do Rio, o Cemaden tem como missão monitorar tempestades, enchentes e secas, além de emitir alertas às defesas civis. Apesar de ter solicitado 180 funcionários há mais de uma década, o órgão não conseguiu ampliar seu quadro, mesmo com a demanda crescente, que agora abrange 1.133 municípios.
Regina Alvalá, diretora-substituta do Cemaden, destaca que a falta de servidores compromete o planejamento e a capacidade de resposta em situações de emergência. Atualmente, cinco servidores estão prestes a se aposentar e há 19 cargos vagos devido a falecimentos e aposentadorias. Dois concursos públicos estão em andamento para preencher 24 vagas, além de outras 11 que serão preenchidas pelo Concurso Nacional Unificado (CNU). O Cemaden também busca autorização do Ministério da Gestão e da Inovação para aumentar seu quadro de servidores e obter recursos orçamentários.
Carlos Nobre, ex-diretor do Cemaden, enfatiza que o número de 180 servidores originalmente planejados pode ser insuficiente diante das mudanças climáticas e da intensificação dos desastres. Ele ressalta que, apesar de nunca ter alcançado o quadro desejado, o Cemaden desempenhou um papel crucial na redução de mortes em enchentes, com uma estimativa de 80% de diminuição nas fatalidades desde sua criação. Em comparação, uma tempestade recente na Região Serrana resultou em apenas quatro mortes, enquanto a tragédia de 2011 deixou 918 vítimas.
Além de monitorar e emitir alertas, o Cemaden também realiza estudos sobre áreas de risco. Um levantamento de 2018 identificou cerca de 2 milhões de pessoas vivendo em áreas de alto risco, número que pode aumentar para 4 milhões em uma nova atualização. Nobre alerta que a maioria dessas pessoas é de baixa renda e necessita de apoio governamental para se deslocar para locais seguros, destacando a importância de investimentos para a remoção de moradores de áreas vulneráveis.
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