O Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) foi pioneiro nos anos 2000 ao investigar os efeitos do processamento de alimentos na saúde. Desde então, a pesquisa sobre os impactos negativos dos ultraprocessados se expandiu, com estudos demonstrando a crescente presença desses alimentos na dieta. Um marco foi […]
O Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) foi pioneiro nos anos 2000 ao investigar os efeitos do processamento de alimentos na saúde. Desde então, a pesquisa sobre os impactos negativos dos ultraprocessados se expandiu, com estudos demonstrando a crescente presença desses alimentos na dieta. Um marco foi a publicação de Carlos Monteiro em 2009, que introduziu a classificação Nova, agora incorporada no Guia Alimentar para a População Brasileira.
A classificação Nova, que categoriza os alimentos pelo nível de processamento, revelou que 20% das calorias consumidas pelos brasileiros provêm de ultraprocessados. Um estudo publicado na BMJ indicou que o consumo desses alimentos dobrou entre 1980 e 2020, evidenciando sua prevalência na alimentação. As pesquisas têm se concentrado nos efeitos adversos desses produtos, especialmente em relação à mortalidade.
O maior estudo sobre ultraprocessados, publicado em 2024, identificou que carnes processadas, bebidas açucaradas e sobremesas lácteas estão associadas a um aumento do risco de morte. As carnes processadas foram ligadas a uma maior mortalidade respiratória, enquanto as sobremesas lácteas estão relacionadas a doenças neurodegenerativas e as bebidas açucaradas a diabetes.
Além disso, um artigo da Nature Medicine revelou que as bebidas açucaradas são responsáveis por um em cada dez casos de diabetes tipo 2 e um em cada trinta casos de doenças cardiovasculares. A classificação Nova, que divide os alimentos em quatro categorias conforme o processamento, continua a ser uma ferramenta crucial para entender os riscos associados à alimentação moderna.
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