Um levantamento da ONG ImpulsoGov revela que mais de 36 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos não realizaram ao menos uma coleta de exame citopatológico do colo de útero, conhecido como papanicolau, nos últimos três anos. O estudo, baseado em dados do Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica (Sisab) do Ministério […]
Um levantamento da ONG ImpulsoGov revela que mais de 36 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos não realizaram ao menos uma coleta de exame citopatológico do colo de útero, conhecido como papanicolau, nos últimos três anos. O estudo, baseado em dados do Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica (Sisab) do Ministério da Saúde, destaca a importância do exame para detectar células anormais que podem levar ao câncer. A recomendação é que o papanicolau seja feito anualmente e, após dois resultados negativos, a cada três anos.
Juliana Ramalho, gerente de saúde pública da ImpulsoGov, aponta que o citopatológico historicamente apresenta resultados abaixo das metas. Ela menciona que a grande população-alvo e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde são fatores que contribuem para essa situação. Muitas mulheres, que atuam como chefes de família, enfrentam desafios para se ausentar do trabalho e realizar o exame. Ramalho enfatiza a necessidade de apoio a estados e municípios para aumentar a coleta e acelerar a entrega dos resultados.
O levantamento também analisou indicadores do programa Previne Brasil, que foi substituído em abril de 2024. Os dados revelam que 80% das crianças de um ano não atingiram a meta de vacinação de 95% para a vacina penta e contra poliomielite. Além disso, mais de 29 milhões de pessoas com hipertensão e 12 milhões com diabetes não tiveram consultas ou exames solicitados no semestre de março a agosto de 2024. Ramalho destaca a crescente demanda por atenção à saúde devido ao envelhecimento da população e ao aumento das doenças crônicas.
A especialista alerta que a falta de acompanhamento pode resultar em custos elevados para o sistema de saúde. Um paciente com diabetes controlado, por exemplo, pode ser atendido de forma mais econômica na Atenção Primária. Os dados coletados são essenciais para direcionar recursos e definir prioridades nas políticas públicas de saúde, visando a promoção da saúde e a prevenção de doenças a curto, médio e longo prazo.
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