Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) descobriram partículas de microplástico no cérebro de oito pessoas que viveram em São Paulo por pelo menos cinco anos. O estudo, apoiado pela FAPESP e pela ONG holandesa Plastic Soup, analisou amostras do bulbo olfatório, uma estrutura cerebral que pode permitir a entrada de […]
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) descobriram partículas de microplástico no cérebro de oito pessoas que viveram em São Paulo por pelo menos cinco anos. O estudo, apoiado pela FAPESP e pela ONG holandesa Plastic Soup, analisou amostras do bulbo olfatório, uma estrutura cerebral que pode permitir a entrada de partículas e microrganismos. As autópsias foram realizadas no Serviço de Verificação de Óbitos da Capital, onde os cientistas utilizaram equipamentos antigos e seguiram rigorosos protocolos de limpeza para evitar contaminações.
As partículas de microplástico encontradas variavam de 5,5 µm a 26,4 µm, com a maioria na forma de fragmentos ou esferas. Os pesquisadores identificaram que 44% das amostras continham polipropileno (PP), um dos plásticos mais comuns, além de poliamida, polietileno acetato de vinila e polietileno. A presença de microplásticos no cérebro é preocupante, pois este órgão é protegido pela barreira hematoencefálica, que dificulta a entrada de substâncias indesejadas.
Um estudo norte-americano não publicado sugere que os microplásticos podem se acumular no cérebro mais do que em outros órgãos. Os pesquisadores observaram que a concentração de micro e nanoplásticos no cérebro aumentou significativamente entre 2016 e 2024, com 8.861 microgramas por grama de tecido cerebral nas amostras mais recentes. A pesquisa destaca a necessidade de mais estudos para entender os efeitos dos microplásticos na saúde humana, especialmente considerando que esses materiais já foram encontrados em diversos órgãos e fluidos corporais.
Embora a detecção de microplásticos no corpo humano seja alarmante, ainda há lacunas no conhecimento sobre seus efeitos. Pesquisadores alertam que a exposição a micro e nanoplásticos pode provocar inflamações e danos celulares, mas os impactos a longo prazo na saúde humana permanecem incertos. A crescente produção de plásticos e a dificuldade em controlar a poluição plástica exigem ações imediatas para mitigar os riscos associados a esses contaminantes.
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