Os ultraprocessados são definidos como preparações industriais que não devem ser consideradas como alimentos, mas sim como produtos que estimulam o apetite de maneira artificial. Exemplos incluem nuggets, pizzas, hamburgueres e cereais. O autor Michael Moss, em seu livro “Adictos a la Comida Basura”, destaca que as empresas têm aumentado intencionalmente os níveis de sal, […]
Os ultraprocessados são definidos como preparações industriais que não devem ser consideradas como alimentos, mas sim como produtos que estimulam o apetite de maneira artificial. Exemplos incluem nuggets, pizzas, hamburgueres e cereais. O autor Michael Moss, em seu livro “Adictos a la Comida Basura”, destaca que as empresas têm aumentado intencionalmente os níveis de sal, açúcar e gordura para torná-los mais viciantes. Um estudo de 2019 revelou que esses produtos representam 70% da dieta média dos americanos, correlacionando seu aumento com o crescimento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e câncer de cólon.
Diversos países têm implementado legislações para limitar o consumo de ultraprocessados, mas sem sucesso significativo. Um estudo publicado na revista Nature Food analisou 417 medidas em 105 países, incluindo a Espanha, e concluiu que 85,9% das intervenções focam em modificar o ambiente alimentar, como medidas informativas. Na Espanha, o uso do semáforo nutricional desde 2018 é um exemplo. No entanto, a maioria das ações depende de acordos voluntários com as empresas, sem abordar os fatores econômicos e políticos que impulsionam a produção desses alimentos.
A Agência da ONU para a Alimentação alertou que a globalização tem exacerbado o problema dos ultraprocessados, com a obesidade mundial quase dobrando nos últimos 20 anos. Em supermercados, seis em cada dez produtos são ultraprocessados, e a publicidade e o estilo de vida acelerado contribuem para essa realidade. Embora as advertências nos rótulos tenham aumentado, um estudo da Cochrane mostrou que a informação calórica teve um impacto modesto na mudança de hábitos alimentares na Inglaterra, com uma redução média de apenas 1,8% nas calorias consumidas.
A especialista Tanita Northcott ressalta que a regulação deve ir além da responsabilidade individual e focar na indústria, comparando a situação atual com as primeiras medidas contra o tabaco. Um estudo de 2024 revelou que grandes empresas de alimentos, como Nestlé e Coca-Cola, exercem influência significativa nas políticas alimentares. Northcott enfatiza que, para combater o domínio dos ultraprocessados, é necessário implementar políticas sistêmicas que abordem as práticas da indústria, assim como foi feito com o tabaco.
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