Estudos sobre a relação entre nutrição e sono têm sido realizados em diversos países, com novos indícios surgindo sobre como a alimentação pode influenciar a qualidade do sono. Um artigo publicado no Nutrition Journal analisou dados de quase 600 participantes do estudo Bogalusa, que investiga a saúde de uma comunidade rural nos Estados Unidos desde […]
Estudos sobre a relação entre nutrição e sono têm sido realizados em diversos países, com novos indícios surgindo sobre como a alimentação pode influenciar a qualidade do sono. Um artigo publicado no Nutrition Journal analisou dados de quase 600 participantes do estudo Bogalusa, que investiga a saúde de uma comunidade rural nos Estados Unidos desde a década de 1970. Os pesquisadores descobriram que uma dieta equilibrada, rica em frutas, hortaliças e grãos integrais, está associada a uma menor probabilidade de insônia. No entanto, a nutricionista Gabriela Mieko ressalta que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito.
A neurologista Letícia Soster complementa que pessoas com dietas equilibradas tendem a ter hábitos saudáveis em outras áreas da vida, como atividade física e controle do estresse, o que também impacta a qualidade do sono. O artigo menciona a dieta mediterrânea como um padrão alimentar saudável, que não só prioriza a alimentação, mas também um estilo de vida ativo e social. Mieko destaca que essa dieta valoriza ingredientes locais e a interação social durante as refeições, podendo ser adaptada com alimentos brasileiros, como frutas e vegetais nativos.
Além de escolher bem os alimentos, é importante moderar as quantidades, especialmente no jantar, para evitar que o metabolismo desacelere excessivamente durante o sono. A neurologista recomenda esperar cerca de duas horas após a refeição antes de dormir, especialmente para quem sofre de refluxo. Alimentos como kiwi, leite, cereja-azeda e salmão são citados como potenciais aliados do sono, devido a substâncias que ajudam na produção de hormônios reguladores do sono, embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar esses efeitos.
Por outro lado, o consumo excessivo de líquidos e bebidas alcoólicas pode prejudicar o sono, aumentando a necessidade de urinar durante a noite e comprometendo a respiração. A cafeína, presente em várias bebidas, também deve ser consumida com cautela, pois pode interferir no sono por até sete horas. Para melhorar a qualidade do sono, recomenda-se evitar o uso de eletrônicos antes de dormir, já que a luz emitida por esses dispositivos pode inibir a produção de melatonina, hormônio essencial para um sono reparador.
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