Um novo estudo indica que o acetato de ulipristal, ingrediente ativo da pílula contraceptiva Ella, pode ser uma alternativa à mifepristona, medicamento alvo de ações judiciais e legislações contra o aborto. Publicado na revista NEJM Evidence, o estudo envolveu 133 mulheres grávidas de até nove semanas, que tomaram uma dose maior de acetato de ulipristal […]
Um novo estudo indica que o acetato de ulipristal, ingrediente ativo da pílula contraceptiva Ella, pode ser uma alternativa à mifepristona, medicamento alvo de ações judiciais e legislações contra o aborto. Publicado na revista NEJM Evidence, o estudo envolveu 133 mulheres grávidas de até nove semanas, que tomaram uma dose maior de acetato de ulipristal seguida de misoprostol. A taxa de conclusão da interrupção da gravidez foi de 97%, semelhante ao regime com mifepristona, e não houve complicações graves.
Beverly Winikoff, autora principal do estudo, destacou o interesse crescente no uso do acetato de ulipristal após a revogação do direito ao aborto pela Suprema Corte em 2022. Contudo, as implicações políticas são complexas, pois podem confundir a percepção pública entre contracepção de emergência e aborto. Oposição ao aborto já critica o Ella, alegando que pode atuar como abortivo, enquanto especialistas em saúde reprodutiva defendem que as pílulas do dia seguinte não interrompem gestações.
Mary Ziegler, especialista em aborto, observou que o estudo pode fortalecer os opositores do aborto, mas também apresenta riscos para eles, dado o alto apoio público à contracepção. Especialistas alertam que mais pesquisas são necessárias antes de considerar o acetato de ulipristal como substituto da mifepristona, enfatizando que o estudo não refuta a ciência existente sobre pílulas do dia seguinte.
A Perrigo, fabricante do Ella, reafirmou que o medicamento é um contraceptivo de emergência aprovado e não causa abortos. O estudo foi realizado na Cidade do México e co-liderado por pesquisadores locais, destacando a necessidade de mais investigações sobre o uso de medicamentos hormonais em diferentes doses. Nos EUA, o Ella é considerado mais eficaz que o Plan B para algumas mulheres, embora ambos os medicamentos atuem bloqueando a ovulação.
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