Hélia Baeça, de 59 anos, vive em Vista Alegre, Esmeraldas, e considera o rio Paraopeba uma parte essencial de sua vida. Sua rotina foi drasticamente alterada após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, que resultou na morte de 270 pessoas e na contaminação do rio, que […]
Hélia Baeça, de 59 anos, vive em Vista Alegre, Esmeraldas, e considera o rio Paraopeba uma parte essencial de sua vida. Sua rotina foi drasticamente alterada após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, que resultou na morte de 270 pessoas e na contaminação do rio, que permanece impróprio para uso. Hélia expressa a sensação de perda de liberdade e de sua área produtiva, refletindo sobre o impacto do desastre em sua vida.
Um acordo firmado em fevereiro de 2021 entre a Vale, o governo de Minas Gerais e instituições de Justiça estipula que a mineradora deve realizar a limpeza total do Paraopeba sem limite de custo. Contudo, um estudo do Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) aponta que a remoção dos rejeitos pode levar de 44 a 741 anos, dependendo da quantidade de resíduos e da eficiência das dragas. A Vale afirma que o volume de rejeitos é de 1,59 milhão de metros cúbicos, enquanto pesquisadores estimam 2,8 milhões de m³.
Os especialistas destacam que a eficiência das dragas diminuiu ao longo do tempo, passando de 90% de rejeitos para 10% de sedimentos logo após o desastre, para valores muito menores atualmente. Até 20 de janeiro de 2024, foram retirados 195 mil m³ de rejeitos. Ramon Rodrigues, especialista socioambiental, questiona a viabilidade da limpeza total e a compensação financeira prevista no acordo, ressaltando a dificuldade de avaliar o valor de um rio.
Fernando Pacheco, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, enfatiza a importância da depuração natural do rio ao longo dos anos, que pode diluir a contaminação. Ele participou de um projeto que estimou que o abastecimento de água poderia ser retomado de 6 a 8 anos após o desastre, dependendo das condições do rio. A decisão sobre a utilização da água para consumo cabe ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas, que avalia parâmetros de qualidade da água, como turbidez e presença de metais pesados.
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