As bactérias, que surgiram na Terra há aproximadamente 3,5 bilhões de anos, continuam a ser fundamentais para a evolução do planeta e a sobrevivência dos seres vivos. Um estudo recente, publicado no repositório bioRxiv, destaca que, embora dez espécies bacterianas representem metade das publicações científicas sobre microrganismos, cerca de 74% das 43 mil espécies conhecidas […]
As bactérias, que surgiram na Terra há aproximadamente 3,5 bilhões de anos, continuam a ser fundamentais para a evolução do planeta e a sobrevivência dos seres vivos. Um estudo recente, publicado no repositório bioRxiv, destaca que, embora dez espécies bacterianas representem metade das publicações científicas sobre microrganismos, cerca de 74% das 43 mil espécies conhecidas ainda não foram investigadas em profundidade. Paul Jensen, autor do estudo, afirma que “aprendemos muito sobre um pequeno número de espécies”.
A Escherichia coli, por exemplo, é responsável por mais de 20% dos artigos publicados sobre bactérias, devido à sua associação com doenças comuns, como tuberculose e infecções. Clara Bastos, pesquisadora da Universidade de São Paulo, ressalta que muitas bactérias que causam problemas em humanos e lavouras são subnotificadas por não serem bem conhecidas. Isso se deve, em parte, à dificuldade de financiamento para pesquisas sobre organismos menos estudados.
Bastos investiga a Chromobacterium violaceum, uma bactéria com apenas 1.215 artigos publicados, em comparação com mais de 4 mil sobre a Coxiella burnetti, a 50ª mais estudada. Embora a infecção por Chromobacterium seja rara, ela pode ser fatal, e muitos casos podem não ser notificados. Jensen complementa que muitos microrganismos do microbioma humano saudável não estão entre os mais estudados, o que representa um problema.
A ampliação das pesquisas sobre essas bactérias pode trazer benefícios significativos, não apenas para a saúde humana, mas também para o equilíbrio dos microbiomas e processos industriais. O estudo sugere que um maior conhecimento sobre esses microrganismos pode ajudar a identificar e mitigar problemas relacionados a infecções e contribuir para a ciência de forma mais ampla.
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