Os produtos ultraprocessados voltados para o público infantil frequentemente apresentam em suas embalagens a promessa de vitaminas e minerais, uma estratégia que visa torná-los mais atrativos e parecerem saudáveis. Contudo, um relatório do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) revela que mais de 24% da dieta de crianças entre 6 meses e 5 […]
Os produtos ultraprocessados voltados para o público infantil frequentemente apresentam em suas embalagens a promessa de vitaminas e minerais, uma estratégia que visa torná-los mais atrativos e parecerem saudáveis. Contudo, um relatório do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) revela que mais de 24% da dieta de crianças entre 6 meses e 5 anos é composta por ultraprocessados, como biscoitos e salgadinhos. Apesar das recomendações do Ministério da Saúde para evitar esses alimentos e açúcar antes dos dois anos, o estudo indica que 20,5% da alimentação de crianças nessa faixa etária é de produtos industrializados.
A nutricionista Amanda Martins alerta que o consumo de alimentos hiperpalatáveis, ricos em açúcar, sódio e gordura, prejudica a qualidade nutricional da dieta infantil e a formação de hábitos alimentares saudáveis. Esses produtos, com aditivos que intensificam o sabor, podem fazer com que as crianças percam a percepção do gosto real dos alimentos. “Quanto mais a criança consome ultraprocessados, mais difícil é a inserção de alimentos in natura”, explica Martins, destacando que sabores artificiais podem se tornar o padrão, dificultando a aceitação de frutas e outros alimentos naturais.
A mudança de hábitos alimentares é um desafio que envolve toda a família. Um exemplo é o caso de Maité, de 3 anos, que passou a rejeitar alimentos saudáveis. Com o acompanhamento de Martins e a adoção do “Método da Escadinha”, a família conseguiu reverter essa situação, eliminando ultraprocessados da dieta e incorporando mais alimentos frescos. “O horário das refeições se tornou um momento de compartilhar o preparo com a pequena”, relata a mãe, Audrey Abarno, que viu a filha aceitar novos alimentos, como brócolis.
A reeducação do paladar requer tempo e paciência, e deve ser um esforço coletivo. Martins sugere reduzir a compra de ultraprocessados e aumentar o consumo de frutas e vegetais, além de conversar com as crianças sobre a importância de uma alimentação equilibrada. “Não exclua alimentos de uma hora para outra; faça uma transição gradual”, recomenda. A publicidade intensa em torno dos ultraprocessados também é um fator que atrai as crianças, tornando a tarefa de promover uma alimentação saudável ainda mais desafiadora.
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