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Tratamentos ultrarrápidos prometem revolucionar a radioterapia no combate ao câncer

- O Cern investiga a radioterapia Flash, que usa doses ultraelevadas em menos de um segundo. - A abordagem promete destruir tumores e preservar tecidos saudáveis, minimizando efeitos colaterais. - Ensaios clínicos em humanos estão em andamento, focando em diferentes tipos de câncer. - Pesquisadores buscam desenvolver máquinas acessíveis para democratizar essa tecnologia. - A radioterapia Flash pode aumentar a capacidade de tratamento em países com escassez de recursos.

Em Genebra, na Suíça, experimentos inovadores estão sendo realizados em cavernas subterrâneas do Cern, com o objetivo de desenvolver uma nova geração de máquinas de radioterapia. Essas máquinas visam tratar tumores cerebrais complexos e cânceres metastáticos, reduzindo os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais. O Cern, conhecido pela descoberta do bóson de Higgs, agora explora a […]

Em Genebra, na Suíça, experimentos inovadores estão sendo realizados em cavernas subterrâneas do Cern, com o objetivo de desenvolver uma nova geração de máquinas de radioterapia. Essas máquinas visam tratar tumores cerebrais complexos e cânceres metastáticos, reduzindo os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais. O Cern, conhecido pela descoberta do bóson de Higgs, agora explora a aplicação de sua tecnologia de aceleração de partículas na área oncológica, especialmente através da abordagem chamada Flash, que utiliza radiação em altas doses em menos de um segundo.

A radiobióloga Marie-Catherine Vozenin e sua equipe demonstraram que a técnica Flash pode destruir tumores em roedores enquanto preserva o tecido saudável. Essa abordagem tem atraído a atenção de especialistas internacionais, que a consideram um avanço significativo na radioterapia, que tradicionalmente envolve sessões longas e pode causar efeitos colaterais severos. Vozenin destaca que, apesar de curar tumores, a radioterapia convencional pode deixar sequelas graves, como perda de QI e problemas emocionais em sobreviventes de câncer pediátrico.

Os oncologistas acreditam que aumentar a dose de radiação pode melhorar as taxas de sobrevivência em casos difíceis. Estudos em animais mostraram que a técnica Flash minimiza os danos ao tecido saudável, permitindo doses mais altas. Billy Loo, professor da Universidade de Stanford, observa que a abordagem pode ser revolucionária, pois produz menos lesões no tecido normal sem comprometer a eficácia do tratamento. Ensaios clínicos em humanos estão em andamento, com instituições como o Cincinnati Children’s Hospital e o Hospital Universitário de Lausanne testando a eficácia do Flash em diferentes tipos de câncer.

Entretanto, a implementação da técnica enfrenta desafios práticos, como a necessidade de equipamentos sofisticados e caros. O Cern está colaborando com instituições para desenvolver aceleradores menores que possam ser utilizados em hospitais comuns. A esperança é que a técnica Flash torne a radioterapia mais acessível, especialmente em países de baixa e média renda, onde a lacuna no acesso a tratamentos oncológicos é significativa. A abordagem pode permitir que mais pacientes sejam tratados em menos tempo, aumentando a capacidade dos sistemas de saúde e potencialmente reduzindo custos a longo prazo.

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