Um novo estudo publicado na revista Nature Medicine revela que amostras de cérebro humano coletadas em autópsias em 2024 apresentaram de sete a 30 vezes mais fragmentos de plástico do que amostras coletadas em 2016. O autor principal, Matthew Campen, professor da Universidade do Novo México, destacou que as concentrações de microplásticos no tecido cerebral […]
Um novo estudo publicado na revista Nature Medicine revela que amostras de cérebro humano coletadas em autópsias em 2024 apresentaram de sete a 30 vezes mais fragmentos de plástico do que amostras coletadas em 2016. O autor principal, Matthew Campen, professor da Universidade do Novo México, destacou que as concentrações de microplásticos no tecido cerebral de indivíduos normais, com idade média de 45 a 50 anos, foram de 4.800 microgramas por grama, equivalente a uma colher de plástico padrão. Essa quantidade representa um aumento de cerca de 50% em relação a amostras anteriores.
Além disso, os pesquisadores encontraram três a cinco vezes mais fragmentos de plástico nos cérebros de doze indivíduos diagnosticados com demência, concentrados nas paredes das artérias e nas células imunológicas do cérebro. Campen alertou que, embora os resultados sejam alarmantes, é importante ser cauteloso na interpretação, pois a presença de microplásticos pode estar relacionada à própria doença, que compromete a barreira hematoencefálica e os mecanismos de eliminação.
O aumento na presença de microplásticos no corpo humano é atribuído ao crescimento da produção de plástico, que dobrou entre 2000 e 2019, alcançando 460 milhões de toneladas. Estima-se que mais de 22% do plástico produzido acaba no meio ambiente, contaminando a cadeia alimentar. O pediatra Dr. Philip Landrigan, que não participou do estudo, enfatizou que a fabricação e a poluição plástica estão em ascensão, e que a maioria do plástico já produzido foi feita desde 2002.
Os pesquisadores ressaltam que, embora a presença de microplásticos no cérebro seja preocupante, ainda não está claro quais são os efeitos diretos sobre a saúde humana. Estudos anteriores em animais mostraram que a presença de nanoplásticos pode causar danos oxidativos e interferir no fluxo sanguíneo. A necessidade de mais pesquisas é evidente para entender as consequências da exposição a esses materiais e suas interações com as células do corpo humano.
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