Um levantamento do Dialogue Earth revela que os municípios brasileiros com as maiores taxas de mortalidade por poluição do ar estão em áreas de intensa atividade industrial. Os dados, extraídos da plataforma Painel Vigiar, lançada em 2024 pelo governo federal, mostram que São Caetano do Sul lidera o ranking, com 320 mortes atribuídas à poluição […]
Um levantamento do Dialogue Earth revela que os municípios brasileiros com as maiores taxas de mortalidade por poluição do ar estão em áreas de intensa atividade industrial. Os dados, extraídos da plataforma Painel Vigiar, lançada em 2024 pelo governo federal, mostram que São Caetano do Sul lidera o ranking, com 320 mortes atribuídas à poluição para cada 100 mil habitantes entre 2021 e 2023, enquanto a média nacional foi de 83 por 100 mil. Outras cidades como Osasco, Guarulhos e a capital São Paulo também estão entre as mais poluídas.
O estudo destaca que, embora as atividades agropecuárias e mudanças no uso da terra sejam os maiores emissores de gases do efeito estufa, a poluição industrial tem um impacto mais significativo na saúde humana. Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, enfatiza que a poluição industrial e de transporte gera efeitos de longo prazo. O Painel Vigiar contabiliza mortes relacionadas a doenças pulmonares e infecções, associadas à exposição ao material particulado fino (MP2.5), liberado por diversas fontes.
A Política Nacional da Qualidade do Ar, instituída em maio de 2024, visa enfrentar a poluição atmosférica no Brasil. Maciel menciona que o monitoramento é essencial para a criação de políticas públicas eficazes, citando exemplos de cidades como Paris, que implementam restrições de veículos em níveis críticos de poluição. A poluição do ar é responsável por 6,7 milhões de mortes globalmente, segundo um estudo da Lancet, e a exposição prolongada pode causar danos severos à saúde.
A logística industrial também contribui para a poluição, com 65% do transporte de cargas no Brasil realizado por rodovias, muitas vezes utilizando combustíveis fósseis. A Lei do Combustível do Futuro, que entrou em vigor em outubro de 2024, busca aumentar a mistura de biodiesel no diesel, visando reduzir as emissões. No entanto, a falta de monitoramento adequado da qualidade do ar durante o licenciamento de novas indústrias e a ausência de estações de monitoramento em regiões como o Norte do Brasil permanecem como desafios significativos.
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