O consumo de álcool é uma prática comum em diversas culturas, incluindo o Brasil, onde está associado a festas e convivência social. Contudo, um relatório recente do Departamento de Saúde e Recursos Humanos dos Estados Unidos revela que o álcool está ligado a pelo menos sete tipos de câncer, como mama, esôfago e fígado. O […]
O consumo de álcool é uma prática comum em diversas culturas, incluindo o Brasil, onde está associado a festas e convivência social. Contudo, um relatório recente do Departamento de Saúde e Recursos Humanos dos Estados Unidos revela que o álcool está ligado a pelo menos sete tipos de câncer, como mama, esôfago e fígado. O documento, intitulado *Alcohol and Cancer Risk*, destaca que o álcool é a terceira causa evitável de câncer no país, contribuindo para cerca de 100 mil casos e 20 mil mortes anualmente.
A médica Ana Paula Garcia Cardoso, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatiza que não existe um nível seguro de consumo de álcool. Dados do Ministério da Saúde indicam que 44,6% da população adulta brasileira consome álcool, com 18,3% fazendo isso de forma abusiva. A especialista alerta que mesmo o consumo moderado pode aumentar o risco de câncer, uma vez que o álcool, independentemente da forma (vinho, destilados ou cerveja), pode danificar o DNA e aumentar a inflamação no organismo.
O relatório também aponta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não reconhece consumo seguro de álcool. Para certos tipos de câncer, o risco pode começar a aumentar com uma dose diária. Por exemplo, o risco de uma mulher desenvolver câncer relacionado ao álcool sobe de 16,5% para 21,8% com o aumento do consumo. A referência de dose padrão no Brasil é de 14 g de etanol puro, enquanto a OMS considera 10 g como padrão.
Apesar das evidências, a conscientização sobre os riscos do álcool é baixa. Apenas 45% dos estadunidenses reconhecem o álcool como fator de risco para câncer, comparado a 91% que conhecem os riscos da radiação. O relatório sugere a atualização dos rótulos de bebidas alcoólicas para incluir alertas sobre o risco de câncer, uma medida que poderia aumentar a conscientização, semelhante ao que ocorre com os produtos de tabaco. Cardoso ressalta que o Brasil também carece de informações sobre esses riscos, e a rotulagem poderia ser um passo importante para a conscientização pública.
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