Melgaço, localizada no arquipélago do Marajó, registrou em 2024 o maior número de dias com calor extremo no Brasil, superando 200 dias com temperaturas até 6°C acima do habitual. O levantamento, realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden) e baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelou que a cidade, […]
Melgaço, localizada no arquipélago do Marajó, registrou em 2024 o maior número de dias com calor extremo no Brasil, superando 200 dias com temperaturas até 6°C acima do habitual. O levantamento, realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden) e baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelou que a cidade, com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, enfrenta sérios desafios devido à falta de infraestrutura e acesso à energia elétrica.
Os moradores, cerca de 28 mil, dependem do plantio, especialmente do açaí, e enfrentam dificuldades para lidar com o calor intenso. Maria Maia, líder comunitária, relatou que a água do rio esquentou a ponto de impossibilitar atividades simples como lavar as mãos. O calor extremo, que chegou a 38°C, foi exacerbado pela seca que afetou a região Norte, resultando na perda de colheitas e escassez de água, o que impactou diretamente a alimentação e a renda das famílias.
Além do calor, a cidade também enfrentou problemas respiratórios devido à fumaça das queimadas, que atingiram 20% dos focos no Brasil em 2024. Embora Melgaço tenha registrado apenas 120 focos, a proximidade com áreas em chamas afetou a saúde dos moradores, especialmente crianças e idosos. O aumento das doenças respiratórias foi notável, com relatos de que o número de atendimentos médicos dobrou durante o período de queimadas.
Os especialistas alertam que o estresse térmico e a falta de infraestrutura de saúde tornam a situação ainda mais crítica em Melgaço. O atendimento médico é limitado e muitas vezes exige longas viagens de barco. A pesquisadora Sandra Hacon destacou que as mudanças climáticas afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, enquanto o meteorologista Mauricio Moura enfatizou a necessidade de investimentos em políticas públicas para mitigar os efeitos do clima e promover a arborização nas cidades.
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