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Clínicas de HIV na África do Sul fecham após congelamento de ajuda dos EUA

- A clínica OUT, em Johannesburgo, suspendeu serviços para 6 mil pacientes. - O congelamento da ajuda dos EUA impacta o tratamento de HIV na África do Sul. - O programa PEPFAR, vital para o HIV, fornece 17% do orçamento do país. - A África do Sul possui uma das maiores taxas de HIV do mundo, com 14% da população. - O governo sul-africano busca redistribuir orçamento para cobrir a falta de recursos.

As portas da OUT, uma clínica LGBTQIA+ em Johannesburgo, estão fechadas há mais de uma semana, interrompendo os serviços de prevenção e tratamento do HIV para seis mil pacientes. Essa situação se repete em outras instituições que atendem pessoas soropositivas na África do Sul, um país que enfrenta uma grave crise de saúde pública. O […]

As portas da OUT, uma clínica LGBTQIA+ em Johannesburgo, estão fechadas há mais de uma semana, interrompendo os serviços de prevenção e tratamento do HIV para seis mil pacientes. Essa situação se repete em outras instituições que atendem pessoas soropositivas na África do Sul, um país que enfrenta uma grave crise de saúde pública. O projeto HIV da Universidade de Witwatersrand, conhecido por seu trabalho com profissionais do sexo, também suspendeu suas atividades devido ao congelamento de ajuda externa promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por um período de noventa dias.

O diretor da OUT, Dawie Nel, expressou preocupação com a situação, afirmando: “Espero que a curto prazo entre algum dinheiro para que a médio e longo prazo possamos fazer outros planos”. A clínica, que anunciou sua “temporária” paralisação, depende significativamente do programa americano de resposta ao HIV, o PEPFAR, que representa 17% do orçamento sul-africano para o HIV e garante tratamento a cerca de 5,5 milhões de pessoas.

Com o congelamento, a OUT, que contava com US$ 2 milhões (R$ 11,73 milhões) em financiamento dos EUA, não poderá fornecer tratamento a duas mil pessoas e o medicamento preventivo PrEP a outras quatro mil. Em 2022, aproximadamente 14% da população sul-africana, cerca de 8,45 milhões de pessoas, era positiva para HIV, uma das taxas mais altas do mundo. Apesar dos desafios, a África do Sul se tornou referência em programas de tratamento, mas o congelamento do PEPFAR é visto como um retrocesso.

Anele Yawa, da Treatment Action Campaign, alertou que “Congelar o PEPFAR será um retrocesso para a África do Sul e para o mundo em termos do progresso feito em nossa resposta ao HIV”. Embora uma exceção tenha sido feita para ajuda humanitária, muitas organizações ainda não têm certeza se serão beneficiadas. O governo sul-africano prometeu cobrir a lacuna no financiamento por meio de redistribuição orçamentária, mas a incerteza persiste.

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